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Migrações como oportunidades: fluxo imparável
28 de Setembro de 2018

Em 2017, 19,4 milhões de africanos emigraram dentro do próprio continente. Entre os migrantes, prevalecem as razões económicas. Muitas oportunidades são criadas nos países de chegada.

Por Antonella Sinopoli - Nigrizia

 

Migrações como oportunidades. Em outros lugares e também em África. Enquanto na Itália estão a brigar contra o pano de fundo da "crise dos migrantes", os africanos continuam a se movimentar. E não apenas na direção da Europa - como a propaganda dos últimos tempos quer que acreditemos - mas entre um país africano e outro.

 

Em 2017, 19,4 milhões foram os africanos que emigraram dentro do próprio continente. Ou seja, 78,8% dos imigrantes que estão na África são africanos (4 de cada 5). É a África Ocidental (graças a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, a CEDEAO/ECOWAS) que regista a maior migração interna: 89%. Além disso, 5,5 milhões são pessoas que chegaram à África em 2017 vindas de outros continentes.

 

Para dar um ponto de comparação: no mesmo ano na Europa, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) contabilizou achegada de 186.768 migrantes (3.116 foram dados como mortos ou desaparecidos no Mediterrâneo).

 

Em 2017, 258 milhões de migrantes foram contabilizados globalmente, mas apenas 35% viajaram na direção sul-norte (de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, por assim dizer). Os cinco principais países com o maior número de migrantes internos em África são: África do Sul, Costa do Marfim, Uganda, Nigéria e Etiópia, todos com mais de um milhão de migrantes.

 

É uma mobilidade interna que cresceu ao longo dos anos e que gera uma série de benefícios sociais, económicos e até políticos. O Relatório 2018 da «Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento» (UNCTAD) sobre a África mostra como as políticas de migração (e não de rejeição) contribuem para a transformação estrutural dos países. Para melhor.

 

Assim, ao contrário da percepção geral - provocada por uma certa imprensa e os muitos slogans – a migração de territórios subsaarianos ocorre principalmente dentro dos países do continente. Diferentemente, a tendência dos migrantes dos países do norte da África é seguir em direção aos destinos europeus.



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