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Portugal: Justiça e Paz propõe reflexão para a Quaresma
27 de Fevereiro de 2019

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) divulgou ontem, 26 de fevereiro, a reflexão Quaresmal de 2019 com o título «Fazer a Páscoa» e onde apresenta sete propostas aos cristãos e aos homens e mulheres de boa vontade.

 

O documento, inspira-se na Mensagem do Papa para a Quaresma e começa por recordar a citação: «A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19), de S. Paulo aos Romanos.

 

Citação que fala na Quaresma como um “itinerário de preparação” para a Páscoa que, ano após ano, percorremos.

 

“Há, portanto, que fazer alguma coisa para podermos entrar na Páscoa. As «cinzas» significam que somos pó e em pó nos havemos de tornar. São um chamamento à conversão”, refere a CNJP.

 

A CNJP destaca que a Encíclica Laudato Sí continua a ser a força inspiradora para a mensagem do Papa: “Respeitai e convertei a criação! Reparai a criação! Francisco convida-nos a não desperdiçar ‘este tempo favorável’ da Quaresma”.

 

Neste sentido, a Comissão Nacional Justiça e Paz elaborou um conjunto de sete propostas baseadas no respeito e conversão pela criação:

 

1. Exploração/respeito pela criação

Que fizemos da criação? O ser humano não é o senhor absoluto da criação, usando-a apenas em benefício próprio. Vivemos na permanente ameaça das alterações climáticas causadas pela sofreguidão dos homens e das mulheres. Quem paga são os mais pobres, os menos protegidos, os mais vulneráveis. Estamos a transformar o jardim do Éden num deserto.

 

2. Balancear Individual/coletivo

Urge ultrapassar «comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –».

Partilhemos, «na alegria de um coração purificado». Sejamos solidários e partilhemos o que temos. Dar esmola para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos.

 

3. Direitos/responsabilidades

Este eu “autocentrado” esquece que não há direitos sem responsabilidades. Celebramos muito justificadamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Reafirmamo-la, mas ainda estamos longe de a cumprir em cada ser humano.

 

4. Frugalidade/consumismo

A mensagem do Papa convida-nos a que reaprendamos o sentido do jejum. Jejuar, segundo o Papa é «aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de “devorar” tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração».

 

5. Fechamento/Hospitalidade

Assistimos a um fechamento de fronteiras, a Europa isola-se nas suas muralhas intransponíveis. Constatamos, impotentes, o reacendimento de movimentos nacionalistas. Face a estes movimentos, os cristãos são convidados à hospitalidade. S. Paulo, na carta aos Hebreus lembra: «Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos».

 

6. Política/Serviço ao bem público

A política quer dizer servir o bem público, o bem de todos. Constatamos como a corrupção – na política como em outros setores – mina qualquer sociedade democrática. Participemos na política, mas de um modo diferente, porque, enquanto cristãos, queremos ser responsáveis pelo bem comum, pela partilha de bens e recursos, pela salvaguarda do interesse colectivo.

 

7. Rezar!

Entrar no deserto. Saborear o silêncio. Parar para contemplar. Respirar simplesmente. Deixarmo-nos invadir pelo belo, pelo bom, pelo justo… Rezemos pelo Papa. Rezemos pela Igreja. E, sim, ajoelhemos face ao Mistério.

 

No entanto sejamos alegres. Que ninguém saiba que jejuamos, que nos privamos em favor dos outros. Que a nossa alegria irradie.

 

«Voltemo-nos para a Páscoa de Jesus!» - interpela finalmente o Papa, «voltemo-nos para o horizonte da Ressurreição». Acreditemos no milagre da Ressurreição.



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