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RCA: Acordo não beneficia centro-africanos
19 de Fevereiro de 2019

“O acordo de paz, imposto por pressões externas, foi em favor dos grupos rebeldes e em sua maioria estrangeiros”, afirma o Bispo de Bangassou.

 

“Quando o acordo alcançado em Cartum foi assinado no dia seguinte (6 de fevereiro) em Bangui, já era uma carta morta”, diz o missionário comboniano Mons. Juan José Aguirre Muñoz, a comentar o acordo entre o Governo da República Centro-Africana e catorze grupos rebeldes.

 

O facto das negociações terem acontecido na capital sudanesa e não em Adis Abeba, capital da Etiópia e sede da União Africana, de acordo com o bispo já é algo significativo sendo que os líderes de cinco grupos rebeldes temiam ser detido pelo Tribunal Superior Internacional. Entretanto, no Sudão o tribunal não é reconhecido e por tanto um local seguro para eles.

 

“É o oitavo acordo de paz assinado em dois anos”, recorda Mons. Aguirre, que avança a dizer que o acordo foi imposto pela comunidade internacional apenas para livrar a sua imagem.

 

“Quem levou vantagem não foram os cidadãos centro-africanos, mas os rebeldes, criminosos radicalizados e em sua maioria estrangeiros, armados por países árabes que por sua vez compram armas nos Estados Unidos”, explicou o Bispo de Bangassou.

 

“Os rebeldes exigem um decreto de imunidade aplicável a todos (embora o Tribunal Penal Internacional não leva em conta) e o cargo de primeiro-ministro, com o propósito de dividir o país em dois. E também querem o controle de 80 por cento das minas de diamantes, ouro, cobalto e mercúrio”, diz o bispo.

 

“A população pobre da África-Central é a grande perdedora”, conclui o bispo combinoano, que coloca a situação “nas mãos de Deus para que ele transforme o coração dos violentos, para que ninguém retome as hostilidades e para que todos possam alcançar a paz”.



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