Página Inicial







África/Europa: A globalização e o seu impacto na vida de povos e culturas
16 de Abril de 2018

Comunicado final do encontro dos bispos de África e da Europa diz que a globalização é um processo dinâmico com o poder de oferecer solidariedade, servir a justiça e a paz, mas também pode dar frutos amargos.

 

“A globalização é um processo dinâmico, polivalente, e toca todos os aspetos da vida individual, familiar e social, incluindo a economia, a política, a cultura e a religião. É ambivalente. Por um lado, oferece solidariedade entre nações e povos; pode servir a justiça e a paz; pode levar à partilha das riquezas espirituais e materiais a nível local e mundial; pode difundir ideias e valores nobres e construtivos”, lê-se no comunicado.

 

“Por outro lado, a globalização, quando marcada pelo pecado como hoje em dia acontece frequentemente, tende a gerar um fosso entre ricos e pobres, entre os poderosos e os mais débeis; reforça a luta pelo poder, por um sempre maior lucro e pelo hedonismo; destrói o legado de alta cultura, da espiritualidade e da dignidade humana, desencadeando uma desconstrução dos fundamentos da existência tais como o direito incondicional à vida (aborto, eutanásia, eugenismo)… Tanto a multiplicação de muitos conflitos armados, como o actual drama dos refugiados e dos migrantes são também frutos amargos da globalização”, acrescenta a nota.

 

“A Igreja pede respeito pela criação, pela ecologia humana, pelo humanismo integral, do homem criado à imagem e semelhança de Deus e dotado de uma intrínseca dignidade”, escrevem os bispos.

 

“Aqui emerge a importância decisiva do culto: o culto a Deus acontece na relação do homem com o Princípio e o Fim da história e de todo o universo. É graças à relação com Deus que o homem encontra o significado último da sua caminhada terrena, uma caminhada que se torna uma peregrinação em direcção ao Fim: isso não é dissolução, mas realização completa e plenitude de vida. Na adoração, o homem encontra - juntamente com o sentido da vida - a orientação moral, o caminho de viver no Bem e, portanto, de viver bem, da vida boa. Sem a afeição a Deus, o homem - e a cultura que daí decorre - permanece prisioneira do tempo, da imanência: a cultura é exposta ao relativo, sujeita a mudanças contínuas”, concluem.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados