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Brasil: Por que Pe. Amaro está preso?
3 de Maio de 2018

O Padre José Amaro Lopes de Souza continua preso. Ele, que tem recebido ameaças de morte desde 2005, trabalhou vários anos com Dorothy Stang, a missionária estadunidense assassinada por fazendeiros. Desde então, Pe. Amaro tem seguido na luta pela defesa, conquista e permanência do povo no campo.

 

Quem explica os motivos da prisão é o Frei Xavier Plassat, dominicano, francês e residente no Brasil desde 1989. Vive em Araguaína, no estado do Tocantins, e coordena a campanha da Comissão Pastoral da Terra contra o trabalho escravo. Sua atuação lhe rendeu a Medalha Chico Mendes de Resistência em 2006 e o Prêmio Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República em 2008.

 

A denúncia que levou à prisão do padre partiu de 10 fazendeiros, sendo que um deles, “não é uma pessoa qualquer”, afirma Frei Xavier. Ele é influente na região desde o tempo do assassinato de Dorothy.

 

A história das terras começou nos anos 70, quando a ditadura militar deu em “concessão de uso” a fazendeiros algumas glebas com a condição de que fossem respeitados requisitos como a preservação florestal. A partir dos anos 80, a Comissão Pastoral da Terra e outras entidades pressionaram o governo para que destinasse as terras, apropriadas ilegalmente e utilizadas para criação de gado e exploração de madeira, para a Reforma Agrária. Uma destas terras é ocupada indevidamente pelo fazendeiro que se negou a restituí-la e apresentou a queixa contra Padre Amaro.

 

Entrevistado pelo Vatican News, Frei Xavier opina que se trata “de um conjunto de acusações fáceis de se desmontar, mas que, depois de veiculadas de forma pesada na comunicação social nacional, fica bem difícil”.



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