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Nicarágua: Bispo para o diálogo nacional ameaçado de morte
24 de Maio de 2018

Existe uma campanha de difamação contra os bispos e sacerdotes envolvidos no diálogo nacional que tenta resolver a crise social na Nicarágua. Em comunicado, a Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) denuncia mesmo uma ameaça de morte dirigida ao bispo Dom Silvio Báez Ortega.

 

“Precisamos informar urgentemente o nosso povo sobre a campanha para desacreditar os bispos e sacerdotes e as ameaças de morte de que somos alvo, em particular o nosso bom irmão Dom Silvio Báez Ortega, bispo auxiliar de Manágua”, lê-se no comunicado.

 

De acordo com a CEN, as ameaças e difamações relatadas vêm de “ataques do Governo orquestrados por jornalistas, média estatal e usuários falsos ou ocultos em redes sociais como Facebook e Twitter”.

 

Tais ataques são perpetrados durante os colóquios do “Diálogo nacional” aos quais participa Dom Báez, convocados pela Igreja na tentativa de mediar entre o Governo e as partes sociais, depois de cerca de um mês de protestos que provocaram a morte de pelo menos 76 pessoas e feriram 868.

 

“Recordamos aos agressores que somos um único corpo”, adverte a CEN. “Quando se agride um bispo ou um sacerdote, a Igreja é agredida: não abandonaremos o povo nicaraguense nesta hora difícil que sob as cores branca e azul de nossa bandeira saiu pelas ruas a pedir os seus direitos legítimos”, escrevem os bispos.

 

O país vive uma das piores crises de sua história e os bispos condenam a “repressão dura do Governo que busca fugir de sua responsabilidade como principal ator das agressões”.

 

No exercício do “ministério profético que denuncia e anuncia” e “como mediadores e testemunhas do diálogo nacional”, afirmam, “somos chamados a propor e promover todos os caminhos possíveis” para a democratização da nação. Portanto, “é nosso dever sagrado proferir a Palavra Verdadeira que nos tornará livres”.

 

Dom Báez Ortega afirmou no Twitter: “Aqueles que me insultam e me caluniam e querem a minha morte, saibam que não tenho medo e que não me curvarão e nem me obrigarão ao silêncio. A minha fidelidade a Jesus Cristo e o meu amor ao povo da Nicarágua estão mais sólidos do que nunca.”



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