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Brasil: Aumenta número de sacerdotes graças às vocações tardias
29 de Maio de 2018

O número de padres no Brasil aumentou 11% entre 2014 e 2017. O aumento deve-se em parte ao aumento de vocações tardias.

Arnaud Bevilacqua

 

Um padre distribui pão no final de uma missa no dia de Santo Antônio na Igreja de Santo Antônio, no Rio de Janeiro.

 

 A Igreja Católica brasileira está experimentando um "efeito Papa Francisco" sobre as vocações? O país anfitrião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em julho de 2013, registra, por qualquer razão que seja, um aumento significativo do número de padres.

Segundo um levantamento do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais (CERIS) da Conferência dos Bispos do Brasil, eram 27.300 em 2017 contra 24.600 três anos antes, um aumento de 11%.

 

Um padre para 7.802 habitantes

E esse salto não é simplesmente uma consequência do crescimento da população brasileira. Segundo o jornal Folha de São Paulo, que divulgou a informação, no Brasil havia um sacerdote para cada 8.130 habitantes em 2014 contra 7.802 em 2017 – na França, a proporção é de um sacerdote para cada 5.500 habitantes.

No início dos anos 2000, a Igreja Católica brasileira contava com 16.000 sacerdotes.

No entanto, considerando-se a população brasileira –  mais de 200 milhões de habitantes –  o número de padres continua modesto e apresenta fortes disparidades segundo as regiões. Mons. Erwin Kräutler, bispo mérito da prelazia territorial do Xingu, a maior diocese do país no coração da Amazônia brasileira, disse ao papa que tinha apenas 27 padres para 700.000 fiéis, durante uma audiência no Vaticano em abril de 2014.

A possibilidade de ordenar sacerdotes os chamados "viri probati", isto é, homens casados de fé comprovada nas suas comunidades, foi mencionada. A questão deverá ser discutida no Sínodo para a Amazônia em outubro de 2019.

 

Vocações tardias

Mas como se explica esse salto das vocações no Brasil enquanto o número de católicos no país apresenta tendência a diminuir? Segundo várias pesquisas, a parcela de católicos oscila entre 50 e 60% da população ao passo que a dos evangélicos gira atualmente em torno de 25%. Do mesmo modo, a proporção dos "sem religião" – que continua muito minoritária – também está em alta, ficando em torno de 10%.

O aumento do número de sacerdotes seria explicado em grande parte pelo aumento das vocações tardias. Cada vez mais homens de idade madura decidem entrar no seminário. Essa tendência foi discutida na última assembleia da Conferência dos Bispos do Brasil, que se reuniu em abril. Mais avançados na sua vida, esses seminaristas puderam aprofundar o seu desejo de se tornarem padres e fortalecer a sua escolha.

 

Por ocasião da assembleia dos bispos brasileiro, Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre felicitou-se pelo aumento das vocações num "contexto de pluralismo religioso no Brasil", embora não "atenda às necessidades" da Igreja católica brasileira.

 

Texto original: La Croix

Tradução: Orlando Almeida – Antigo aluno comboniano

 



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