Página Inicial







Quaresma: Três pedrinhas para fazer comunidade no Sudão do Sul
28 de Março de 2018

Três pedrinhas para fazer o fogo

“O que mais admiro nos africanos é a capacidade e a necessidade de expressarem a vivência religiosa e rezarem juntos”, indica o missionário José Vieira.

 

Acresce a hospitalidade que “não é exclusiva do tempo quaresmal” mas prática de vida.

 

A oração, a esmola e o jejum, enquanto instrumentos para viver a Quaresma, são entendidos à luz do contexto social e cultural dos sul-sudaneses.

 

“Para fazer o fogo em África são precisas três pedras e normalmente colocam-se as pedras, a lenha à volta e o tacho por cima. Nós dizemos que as pedras que vão segurar fogo que nos levam à Páscoa é o jejum, a esmola e a oração. Era a imagem que usávamos”, relembra o missionário comboniano.

 

Uma das imagens mais forte que o missionário comboniano guarda é a celebração da via-sacra.

 

“Ao fim do dia, as pessoas vinham à sexta-feira à igreja à adoração da Cruz. E a mais forte é a de sexta-feira santa, chegava a durar duas horas. Todos vinham, ajoelham-se e beijam o Senhor nas mãos, nos pés, na cara… há uma manifestação que envolve a todos. Outro aspeto muito bonito é a capacidade de rezarem juntos”, recorda.

 

Exemplo disso foi uma iniciativa recente de um grupo de religiosos no Sudão do Sul para se rezar 101 dias pela paz.

 

“Os líderes religiosos juntavam as pessoas numa Praça, ao ar livre, e as pessoas rezavam, plantavam árvores”, naquilo que o religioso apelida de “ecumenismo prático”.

 

Cada celebração no Sudão do Sul é uma festa, recordada com saudade pelo missionário comboniano.

 

Para além das celebrações “mais formais” na Catedral, o padre José Vieira recorda as capelas que se formavam debaixo das árvores e que se estendiam terreiro fora pela quantidade de pessoas a celebrar.

 

“Quando lá cheguei celebrava normalmente na catedral ou na paróquia. Até que entrei na «rota normal» de celebração. Significava celebrar nos lugares mais pequenos, debaixo das árvores ou em pequenas capelas”, relembra.

 

A entrevista completa está disponível na página da Agência Ecclesia.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados