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Brasil: Acolhida de venezuelanos em Boa Vista
13 de Março de 2018

A acolhida é o princípio vital da autogestão do abrigo, a exclusão e a inércia parecem ser a postura dos poderes públicos. A igreja e nós combonianos queremos envolver também você nesta ação conjunta em favos dos imigrantes.

 

O abrigo «Tancredão» é um ginásio de Boa Vista (RR) adaptado em regime de emergência à acolhida dos migrantes venezuelanos. Há outro abrigo desse tipo na cidade.

 

Absolutamente carente de infraestrutura, o Tancredão está lotado de gente; sobram só estreitos corredores entre as barracas de acampar e os colchões espalhados no chão. Na quadra coberta, a fumaça da cozinha a lenha penetra nos pulmões das pessoas; na área externa, dezena de tendas da defesa civil e outras dezenas de barracas estão cercadas de lama e água parada. As fossas dos banheiros entopem frequentemente e as crianças brincam descalças ao lado do esgoto a céu aberto.

 

O “Gordo”, um dos líderes improvisados do acampamento venezuelano, confessa: “Com que coragem podemos impedir a entrada no abrigo de uma nova família que bate ao portão?! A gente acolhe e busca um cantinho também para eles... mas aqui a cada duas pessoas que saem são dez que entram!”.

 

Enquanto a acolhida é o princípio vital da autogestão do abrigo, a exclusão e a inércia parecem ser a postura dos poderes públicos.

 

É o que destaca com veemência a Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB, que realizou uma missão de observação e solidariedade à fronteira Brasil-Venezuela: “situações graves de violação dos direitos e falta de políticas públicas elementares como alimentação, saúde, higiene, segurança, educação; denúncias de violência policial, violência contra a mulher, exploração sexual e do trabalho, tráfico de drogas e de pessoas e de completa omissão do poder público”. Leia aqui a Carta à Sociedade Brasileira que a CNBB publicou após a missão.

 

Os Missionários Combonianos atuam há anos em Boa Vista, especialmente no acompanhamento aos povos indígenas de Roraima. Com a emergência imigração, uniram-se às muitas forças da Igreja e da sociedade civil em ações voluntárias de solidariedade e apoio emergencial.

 

Visitam constantemente os abrigos, oferecem em particular atendimento básico à saúde e celebram junto ao povo venezuelano, tentando alimentar sua esperança.

 

Una-se a nós nesse mutirão de solidariedade!

 

Divulgue a Carta da CNBB e esse nosso texto, para despertar solidariedade e apoio ao povo venezuelano, denunciar a inoperância dos poderes públicos e exigir imediatas ações estruturadas de acolhida e proteção dos migrantes.

 

Colabore com aquilo que puder para aliviarmos a situação desses nossos irmãos em busca de vida!

 

Texto: Daio Bossi, coordenador Combonianos no Brasil

Fotos: Felipe Larozza



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