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Síria: Ataque com armas químicas não foi confirmado
19 de Abril de 2018

Comunicado da Organização para Proibição de Armas Químicas (Opaq) informa que os peritos ainda não tiveram acesso à região onde supostamente ocorreu o ataque com armas químicas na Síria.

 

Uma equipa de peritos da Missão de Investigação da Opaq foi enviada para Damasco e aguarda que haja garantia de segurança para poderem avançar com a investigação.

 

No dia 7 de abril de 2018, sob as ordens do Presidente Bashar al-Assad, o exército sírio teria lançado um ataque com armas químicas contra civis na região de Goutha.

 

Diante desse suposto ataque, a coligação feita por Estados Unidos, França e Reino Unido lançou um ataque com mísseis contra pelo menos três alvos militares em território sírio.

 

No entanto, dois religiosos que vivem na Síria dizem que não houve ataque com armas químicas por parte do regime de Bashar al-Assad.

 

“Uma história inventada” e mais “uma desculpa para poderem atacar”, refere Maria de Lúcia Ferreira, conhecida como Irmã Myri, uma jovem portuguesa que pertence à Congregação das Monjas da Unidade de Antioquia e que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, em Qara.

 

A Irmã Myri, que deu declarações à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), diz que não houve nenhum “eco” de armas químicas no país: “Não se ouviu dizer nada. Se tivesse havido algum massacre com armas químicas seguramente que teria havido alguém da parte do exército ou das famílias ou dos refugiados que saíram de Douma, e que são milhares… Mas não houve eco nenhum no país da utilização de armas químicas. É pois, para a população, mais uma história inventada, mais uma desculpa para poderem atacar.”

 

Outro que nega o ataque com armas químicas é o padre Bahjat Elia Karakach, franciscano da Custódia da Terra Santa, superior do convento dedicado à conversão de São Paulo, a principal paróquia de rito latino na capital, Damasco.

 

Em declarações colhidas pela Aleteia, o padre Bahjat denuncia que o governo sírio está a ser alvo de uma mentira alimentada pelos Estados Unidos e pelos seus aliados na Europa, no Golfo Pérsico e no Oriente Próximo.

 

“A quem me pergunta sobre o uso de armas químicas pelo governo, eu gostaria de lembrar que, em 2003, o Iraque foi atacado pelos Estados Unidos e seus aliados com a justificativa de combater um regime que tinha armas químicas. E era mentira”, diz o padre.

 

“Toda vez que o exército sírio consegue reconquistar uma área que tinha sido tomada pelos rebeldes terroristas, acontece uma armação para convencer a opinião mundial de que o regime sanguinário precisa ser combatido. Tudo isso é uma grande mentira porque o nosso governo não é estúpido de fazer uma coisa que daria margem para um ataque ocidental. O exército não precisa usar armas químicas, elas já foram desmanteladas sob o controle dos russos, já faz alguns anos. Hoje se avança sem o uso desses métodos para vencer a guerra contra o terrorismo”, afirma o religioso.



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