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Rep. Centro-Africana: Alegria pela oração em "sango" na missa do Papa
22 de Maio de 2018

Foi uma grande alegria na Catedral de Bangui, na República Centro-Africana, o anúncio de que durante a Missa presidida pelo Papa Francisco na Basílica Vaticana no dia de Pentecostes se rezou também em "sango", a língua do país.

 

“Um caloroso aplauso espontâneo dos muitos fiéis que participavam na celebração eucarística por ocasião de Pentecostes”, revelou o pároco da Catedral e vigário geral da Arquidiocese, P. Mathieu Bondobo.

 

O Padre Mathieu é o sacerdote que esteve sempre ao lado do Papa Francisco durante a sua viagem à África Central, em novembro de 2015, traduzindo as suas palavras para a língua local.

 

Esta pequena notícia de uma simples oração - disse Pe. Bondobo - deu muita alegria ao coração dos fiéis: "Sentimos que não estamos sozinhos: Deus, a Igreja, o Papa estão conosco. Há irmãos e irmãs que rezam por nós, mesmo se estão distantes, e ouviram nossa língua e isso é maravilhoso".

 

Na Basílica de São Pedro, esta oração foi pronunciada em "sango" pelos que sofrem: "Deus Pai os alcance com o Espírito Consolador: nenhuma lágrimas seja derramada inutilmente e nenhuma dor seja dominada pelo desespero". "Esta oração - sublinha Padre Bondobo – fala sobre a nossa situação atual. Há tantos sofrimentos e lágrimas e o Espírito é enviado para enxugá-las. A situação na África Central é terrível. Os rebeldes vivem com as armas e estão sempre prontos para atacar. Eles vivem aqui entre nós, sabemos onde eles estão, eles sabem como e quando atacar. Isso não pode ser tolerado, é uma coisa tremenda, nos perguntamos até quando essa situação poderá durar".

 

"A violência está de volta - acrescenta o sacerdote - porque há aqueles que não querem a paz ou têm outros projetos para a África Central e usam armas, manipulação, confusão. Há quem não queira a democracia que chegou com as eleições. A paz infelizmente não voltou como esperávamos".

 

No dia 1º de maio último, alguns rebeldes atacaram a Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Bangui, durante a missa pela festa de São José Operário, matando 16 pessoas, incluindo um sacerdote. "Foi terrível - diz o padre Mathieu - mas não acabou porque alguns dias depois a violência também atingiu a cidade de Bambari, onde muitas pessoas foram mortas e milhares escaparam para encontrar refúgio em outro lugar".

 

"Agora - continua o padre - há o medo. Mas esse medo não nos impede de viver a nossa fé. Hoje, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, muitos jovens receberam a Crisma. Foi também celebrado um matrimónio. E assim, nas outras paróquias de Bangui, muitos foram à missa e muitos receberam a Crisma no dia de Pentecostes. Este é um sinal forte para dizer que o medo não acaba com a nossa fé. Pelo contrário, nos dá força, porque o Espírito que recebemos do Senhor é um espírito de força, de sabedoria, de amor ".



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