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Portugal: Breviário das grandes perguntas
3 de Outubro de 2017

O P. José Tolentino Mendonça apresentou ontem, 2 de outubro, o seu livro mais recente – e o primeiro que publica com a chancela da Quetzal: «O pequeno caminho das grandes perguntas».

 

Trata-se de um conjunto de 155 pequenas reflexões sobre as grandes perguntas que trazemos dentro de nós que o poeta, teólogo, místico e pensador madeirense explora em grande e vibrante profundidade.

 

Fá-lo em diálogo com 111 pensadores de Alejandro Aravena a Zygmunt Bauman passando pelo Papa Francisco, São Francisco e Simone Weil, os três mais citados.

 

«Deveríamos dedicar mais tempo a escutar essas perguntas que pulsam no nosso interior, soterradas no atordoamento dos dias, omitidas pelo pragmatismo ou pelo medo, adiadas para um momento ideal que depois nunca é» – termina a segunda reflexão.

 

A sua escrita faz-me lembrar o conselho de Rainer Maria Rilke ao jovem poeta que o interpela: «Viva as perguntas agora. Talvez, gradualmente, sem perceber, viverá num dia distante na resposta.»

 

A apresentação foi uma conversa amena e profunda do autor com o teólogo Alfredo Teixeira e o escritor Richard Zimler moderada pela jornalista Maria João Seixas num fim de tarde cálido.

 

A moderadora classificou a obra como «um livro de horas».

 

O teólogo explicou que a obra de Tolentino Mendonça é um texto teológico que «passa da gramática de um Deus necessário para a gramática de um Deus desejável.»

 

O escritor norte-americano radicado em Portugal disse que «este livro vai encorajar outros leitores a assumirem os riscos do seu próprio ser.»

 

E citou: «Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos para não encontrarmos paz».

 

O autor explicou que o livro –  em prosa poética – revela o carácter unitário da sua obra feita de poesia e ensaio.

 

«A teologia ganha muito com o diálogo com a vida minúscula», disse.

 

Os capítulos de «O pequeno caminho das grandes perguntas» são curtos: não passam de uma página. Mas são densos, redondos, alimentam, fazem pensar. Recordam-me a broa de Avintes: um naco de pão dá muito que mastigar.

 

O P. Tolentino é um dos meus mestres de espiritualidade: faz-me reflectir e rezar com os seus textos em diálogo com as coisas pequenas da vida – que são as grandes questões da existência – e com outros grandes mestres do saber e das artes.

 

Vale bem a leitura! Mesmo para um retiro – com o livro numa mão e o Livro dos livros na outra.

 

José da Silva Vieira (MCCJ) - Jirenna



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