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Brasil: Carta do CIMI sobre declarações do Presidente eleito contra povos indígenas
4 de Dezembro de 2018

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) publicou uma nota sobre as “agressões” do Presidente eleito contra os Povos Originários do Brasil.

 

“São graves e preocupantes as ideológicas, anacrônicas e recorrentes declarações do presidente eleito sobre os povos originários do Brasil”, lê-se na nota.

 

Para o Cimi, “Bolsonaro insiste em equiparar os povos a animais em zoológicos, o que é, por si só, inaceitável”, e ao fazer isso, “o presidente eleito sinaliza que os povos podem ser caçados e expulsos por aqueles que têm interesse na exploração dos territórios indígenas e que pensam como ele”.

 

Na carta, o organismo que está ligado à Igreja Católica brasileira afirma que o presidente eleito “retoma o discurso integracionista”, marca dos governos ditatoriais das décadas de 1960 a 1980 e que deu margem para ações de agentes estatais e privados que resultaram no assassinato de milhares de indígenas.

 

O Cimi refere ainda que “ao afirmar que as demarcações de terras indígenas no Brasil teriam origem em pressões externas, o presidente eleito falta com a verdade”, e cita o facto da Constituição Brasileira de 1988, em seu Artigo 231, “reconhece a legitimidade e o direito dos povos indígenas à sua organização social, aos seus usos, costumes, crenças, tradições e às suas terras originárias”.

 

A nota do Cimi encera a reforçar que “além de extremamente desrespeitosas para com os povos”, as declarações do presidente eleito dão “guarida ideológica para a inoperância do Estado em efetivar o direito dos povos”, e salienta que estas mesmas palavras “atentam contra a vida dos povos indígenas” e são contrárias ao “dever do Estado de efetivar as demarcações, a proteção dos territórios e da vida destes povos”.

 

Em outubro de 2017, o Cimi publicou informações sobre o projeto “anti-indígenas” do Congresso brasileiro, onde são expostas 33 proposições que afetam os direitos indígenas - 17 buscam a alteração nos processos de demarcações de Terras Indígenas: “Um projeto a ser gerido por militares, fundamentalistas religiosos e ruralistas”.

 

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) é um organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.



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