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Brasil: 65 mortos após rompimento de barragem em Brumadinho
29 de Janeiro de 2019

São já 65 mortes confirmadas após o rompimento da «barragem 1» da Mina do Feijão, em Brumadinho, Estado de Minas Gerais, no Brasil. Pelo menos outras 279 pessoas continuam desaparecidas. Tragédia inclui ainda a morte de centenas de animais, grande destruição da flora e extensa contaminação do solo e de rios.

 

A barragem da mineradora Vale se rompeu na sexta-feira, 25 de janeiro, e um mar de lama tóxica destruiu casas, atingiu a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco.

 

A rede «Igrejas e Mineração» divulgou uma nota sobre a tragédia com o título «Choramos com a Mãe Terra lágrimas de lama e sangue».

 

A rede, que aponta o rompimento da barragem como crime ambiental, diz conhecer bem a comunidade atingida e a resistência frente à expansão da mineração. Uma realidade presente em muitas comunidades latino-americanas “atingidas pela violência arrogante do extrativismo”, revela a nota.

 

Neste sentido, «Igrejas e Mineração» apresenta sua solidariedade “às famílias das vítimas e às comunidades de fé, que terão o árduo desafio de reconstruir a esperança”, unindo-se também à Arquidiocese de Belo Horizonte, que, com as palavras do Evangelho, definiu a tragédia como “abominação da desolação”, referindo-se aos “absurdos nascidos das ganâncias e descasos com o outro, com a verdade e com o bem de todos”.

 

A nota recorda que a empresa Vale S.A., junto à BHP Billiton, é responsável por 19 mortes e pela contaminação da bacia do Rio Doce, em 05 de novembro de 2015, quando houve o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, também no Estado de Minas Gerais: “A repetição do mesmo dano, três anos depois, com um rastro de mortes e destruição bem mais grave, é a confirmação de sua incapacidade de gestão e prevenção dos danos, de descaso e de conduta criminal”, lê-se na nota.  

 

Uma responsabilidade que envolve também o Estado, indica a rede «Igrejas e Mineração», “que licencia os projetos extrativos e deveria monitorá-los para garantir a segurança e a vida digna das comunidades e do meio ambiente”.

 

De acordo com a rede, a responsabilidade do Estado é dupla, “porque a impunidade e a falta de reparações completas e suficientes para as vítimas do crime de Mariana foi uma das condições principais que permitiram o novo crime de Brumadinho”.

 

Por tudo isso, a nota afirma que o acontecido não deve ser tratado como “acidente” e sim como um “crime sócio-ambiental”.

 

A rede «Igrejas e Mineração» acompanha e assessora as igrejas empenhadas nos territórios feridos pela mineração e em todos os conflitos abertos entre empresas extrativas e comunidades (só no Brasil há mais de 70 Dioceses onde foram mapeados conflitos).



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