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Vaticano: Mensagem do Papa expõe os benefícios e alerta sobre os perigos da internet
25 de Janeiro de 2019

Mensagem do Papa para o «Dia Mundial das Comunicações Sociais» (2 de junho de 2019) convida a refletir sobre a relação das comunidades das redes sociais e as comunidades humanas: “A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis”.

 

Sob o tema «Somos membros uns dos outros: das comunidades de redes sociais à comunidade humana», a mensagem de Francisco quer expor os benefícios e alertar sobre os perigos da internet.

 

“Hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito”, lê-se na mensagem.

 

Para o Santo Padre, “é necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos”.

 

Neste sentido, o Papa recomenda que “como rede solidária, a comunidade requer a escuta recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem”.

 

“Além disso, na social web, muitas vezes a identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso, e outros). Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo”, explica.

 

Na sua mensagem, o Papa refere que  os adolescentes é que estão mais expostos “à ilusão” de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens «eremitas sociais», que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade”, e alerta que “esta dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da sociedade, uma laceração que não podemos ignorar”.

 

Diante do panorama atual, Francisco convida-nos, a todos nós, “a investir nas relações, a afirmar – também na rede e através da rede – o caráter interpessoal da nossa humanidade”.

 

“Por maior força de razão nós, cristãos, somos chamados a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes. De facto, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro e corresponder-lhe”, escreve o Papa.

 

Para concluir, o Santo Padre recorda que “o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro”.

 

“Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso”, explica.

 

E arremata: “Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos («like»), mas na verdade, no «amen» com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros”.



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