Fátima: A Europa e a Igreja precisam de uma «Nova Ordem»
14 de Julho de 2010

Com base no tema da peregrinação internacional de Julho 2010 no Santuário de Fátima – «Há mais alegria em dar do que em receber» – D. João Miranda, bispo auxiliar do Porto, que presidiu à peregrinação, exortou os peregrinos a partilhar, pedindo a Deus a virtude a caridade. Para a Europa, «decadente e a precisar de conserto», e para a Igreja, o prelado pediu uma «Nova Ordem».
«A primeira partilha a fazer é aquela que deriva da justiça: o justo salário a quem trabalha. A segunda forma de partilha é acudir aos casos clamorosos de quem tem fome de pão, de saúde, de escolarização, de dignidade humana. A terceira é banir a inveja do coração», apelou D. João Miranda.
O Bispo Auxiliar do Porto considera que a crise actual «não é sobretudo uma questão financeira ou económica, mas é uma crise moral».
«O dinheiro é a perdição do mundo. O dinheiro é um bem criado necessário ao bom entendimento dos homens, mas só se tiverem o coração limpo. O dinheiro pode ser a perdição da Igreja se ela não seguir os caminhos das bem-aventuranças: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus! O apego desmedido aos bens deste mundo é uma traição ao Evangelho: Não podeis servir a Deus e ao dinheiro!».
Uma outra forma de repartir, considera D. João Miranda, é «dar com alegria», seja «o pão, a ciência, a cultura e a sabedoria do espírito».
«Muito já se disse sobre uma Nova Ordem internacional. Os poderosos das nações reúnem-se para acertar caminhos. Mas os acordos são difíceis, porque no meio se interpõem os interesses particulares. Os cristãos têm, teriam uma palavra importante a dizer. Mas parece que estamos encolhidos nos parlamentos, nos nossos interesses, na nossa defesa pessoal nas malhas de uma Europa decadente, a precisar de um conserto que devolva a esperança e a confiança às nações», explicou.
«Também para a Igreja é precisa uma Nova Ordem pastoral, que se exprima em acolhimento, respeito, desprendimento, mais partilha de bens, comunhão e paz, mais Palavra de Deus e menos ritos. A Igreja, nós, não podemos enredar-nos em pormenores, mas temos de atender as pessoas e a não ter medo de anunciar um evangelho difícil, mas que enche as medidas do coração», concluiu o bispo.