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Sudão: Forças sudanesas acusadas de uso de violência contra opositores
19 de Julho de 2010

As forças de segurança sudanesas foram acusadas de levar a cabo uma campanha de violência brutal e de intimidação contra activistas dos direitos humanos e elementos da oposição.

 

As acusações estão contidas no último relatório da organização de defesa dos direitos humanos, «Amnistia Internacional» (AI), divulgado esta segunda-feira, 19 de Julho.

 

O documento surge uma semana depois do presidente sudanês, Omar Al-Bashir, se tornar no primeiro chefe de estado em funções a ser formalmente acusado pelo «Tribunal Penal Internacional» de Haia pelo crime de genocídio - algo que o governo de Cartum rejeita dizendo que se trata de uma alegação hostil de um tribunal cujo estatuto não reconhece.

 

No seu relatório, a AI acusa as forças sudanesas de imporem uma «governação de medo» contra os críticos do governo.

 

Baseando-se em testemunhos de prisioneiros que entretanto abandonaram o Sudão, o documento daquela organização descreve um clima de detenções arbitrárias, assassinatos, espancamentos e outros tipos de abusos contra prisioneiros.

 

Um médico, detido por ter escrito um artigo crítico do governo, diz ter sido agredido com um cabo eléctrico e com pontapés na virilha. Uma vez libertado diz ter recebido ameaças de morte pelo telefone, tendo decidido fugir do país.

 

A Amnistia Internacional afirma ainda que ao invés de responder aos apelos internacionais de reforma, o governo de Cartum introduziu nova legislação que dá aos agentes de segurança praticamente «carta branca» para intimidarem e assediarem a população.

 

Com o aproximar do referendo que poderá dar a independência ao Sul do Sudão, 2010 vai ser um ano chave para os sudaneses.

 

Apesar de já ter sido indiciado pelo TPI, em Março passado, por crimes de guerra e contra a humanidade, as acusações de genocídio por parte da justiça internacional voltam a cair em saco roto em Cartum.

 

Entretanto em Juba, no sul do país, já se discute o futuro político daquele que poderá ser o futuro Sul do Sudão independente. Entre os temas em discussão incluem-se questões de cidadania e de divisão das receitas do petróleo, riqueza presente maioritariamente a sul do país.



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