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Portugal: É urgente conjugar o verbo inovar
5 de Maio de 2017

Os tempos que habitamos são tempos novos: obrigam-nos a conjugar o verbo inovar em vários modos!

 

A começar pelo comunicar. A grande maioria dos consagrados pertencemos ao analógico, somos artesãos, trabalhamos com as mãos, damos tempo ao tempo. Para comunicar usamos a gramática, a voz, as cartas, o telefone…

 

A nova geração é nativa no digital: vive ligada à internet, dia e noite. Não escreve cartas, mas envia emails, sms, emojis, meias palavras, vídeos e fotos. Não usa o carteiro, mas as redes sociais; quer informações e emoções no momento, não tem paciência para grandes leituras, para tempos longos…

 

A internet e as redes sociais são os novos meios e espaços de comunicação, areópagos com códigos e instrumentos de linguagem próprios. Se queremos partilhar a alegria e a beleza da consagração e o sonho dos nossos carismas temos que frequentar esses espaços, aprender a usar os seus meios de comunicação desde os telefones inteligentes às linguagens do som e da imagem, familiarizamo-nos com a cultura digital.

 

Não adianta carpir as cebolas do egito da comunicação do passado: temos que emigrar do analógico para o digital e enfrentar os desafios da comunicação presente aprendendo a usar o Facebook, o Twittter, o Instagram, as páginas da internet, o correio electrónico, o vídeo…

 

A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica publicou a 6 de Janeiro de 2017 umas orientações intituladas Vinho novo, odres novos – A vida consagrada desde o Concílio Vaticano II e os desafios ainda em aberto.

 

Vinho novo, odres novos: outra forma de conjugar o verbo inovar.

 

O documento é um exercício de discernimento prático para «ler práticas inadequadas, indicar processos bloqueados, fazer perguntas concretas, pedir razões das estruturas de relação, de governo e de formação sobre o apoio real dado à forma de vida evangélica das pessoas consagradas» como explica no penúltimo parágrafo da curta introdução.

 

Esta inovação tem a ver com a atualização histórica dos carismas face às realidades socioculturais que vivemos (as novas pobrezas) e a linguagem (simbolismo) para os comunicarmos às gerações novas.

 

Duas citações servem para ilustrar esta realidade.

 

Lemos no nº 7: «As novas pobrezas interpelam a consciência de muitos consagrados e solicitam aos carismas históricos novas formas de resposta generosa frente às novas situações e aos novos descartes da história. Daí o florescimento das novas formas de presença e de serviço nas múltiplas periferias existenciais».

 

Saltamos para o nº 14: «O cuidado em vista a um crescimento harmonioso entre a dimensão espiritual e a dimensão humana implica uma atenção específica à antropologia das diversas culturas e à sensibilidade própria das novas gerações, com particular referência aos novos contextos de vida. Só um reentendimento profundo do simbolismo que toca verdadeiramente o coração das novas gerações pode evitar o perigo de se contentarem com uma adesão apenas superficial, de tendência e até de moda, onde parece que a busca de sinais exteriores transmite segurança de identidade».

 

Estas orientações exigem respostas concretas de todos os institutos a começar pelos percursos formativos (os âmbitos trentinos de seminários e noviciados têm que ser substituídos, diz o nº 35), pela própria linguagem («a própria terminologia “superiores” e “súbditos” já não é adequada» lê-se no nº 24), à administração de bens e ao serviço da autoridade («que apele à colaboração e a uma visão comum sobre o estilo da fraternidade», salienta o nº 43).

 

As orientações têm a força para revolucionar e renovar a vida consagrada se forem seguidas através de uma obediência generosa e criativa!

 

Esta jornada de formação permanente certamente que nos vai dar algumas intuições concretas para começarmos a conjugar com mais constância e consistência o verbo inovar!

 

«Agora é tempo de vindima e de vinho novo. […] Chegou o tempo de guardar a novidade com criatividade para que conserve o sabor genuíno da bendita fecundidade de Deus», proclama o documento na conclusão (nº 55).

 

Vamos a isso, então!

 

José Viera – Superior Provincial dos Combonianos em Portugal - Jirenna

 



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