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Brasil: Índios são atacados por pistoleiros
2 de Maio de 2017

Um ataque perpetrado por fazendeiros e pistoleiros deixou mais de dez indígenas do povo Gamela feridos no Povoado de Bahias, em Viana, no Maranhão. Um índio teve fratura exposta devido a golpes de catana e pode perder ambas as mãos.

 

De acordo com Inaldo Serejo, vítima e membro da Comissão Pastoral da Terra do Maranhão (CPT-MA), a ação ocorreu no domingo, 30 de abril, por volta das 17h, quando os índios deixavam uma área de 13 hectares retomada por eles no último dia 28. "Avaliamos que não era seguro e começamos a recuar. Ficou apenas um grupo menor, que sofreu o ataque", disse.

 

Segundo Serejo, após a retomada do território no dia 28, fazendeiros e pistoleiros da região se reuniram para expulsar os índios.

 

"O grupo estava armado com espingardas e revólveres. Parece que estava tudo já programado para o ataque. A polícia estava lá parece que só esperando uma tragédia. Hoje de manhã o boato na região é de que eles voltariam para invadir uma aldeia que foi construída depois da retomada", disse Serejo.

 

A CPT-MA também denunciou a articulação: "denunciamos, neste contexto, que a ação criminosa e violenta ocorrida neste domingo foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, que, através de um texto no Whatsapp, convocavam pessoas para o ataque contra os indígenas".

 

Cinco indígenas, entre eles Serejo, deram entrada no hospital Socorrão 2, em São Luís. Serejo foi ferido na cabeça por um tiro e teve alta. Outros três seguem internados por conta de fraturas, ferimentos por arma de fogo e traumatismo craniano resultado de agressão física.

 

Outros indígenas, feridos por catana, foram atendidos em Viana e cidades próximas.

 

O território reivindicado pelo povo Gamela tem um total de 14.500 hectares, de acordo com Serejo, e não foi demarcado pela Funai (Fundação Nacional do Índio). Desde 2014, aguarda-se a constituição de um grupo de trabalho para identificar e demarcar as terras.

 

O secretário de Direitos Humanos do Maranhão, Francisco Gonçalves, afirmou que "existe, na região, conflito que envolve questões técnicas e territoriais, que está na Justiça". No ano passado, o governo do Estado solicitou à Funai informações sobre a demarcação.

 

Segundo a Comissão Pastoral da Terra do Maranhão (CPT-MA), há cerca de 360 conflitos por território no Estado. Em 2016, foram registrados 196 episódios de violência, levando a 13 assassinatos e outras 72 ameaças de morte.

 

O povo Gamela já havia sofrido outros dois ataques, em 2015 e 2016.

 

Somente no mês passado, conflitos por terras deixaram dez mortos —nove trabalhadores rurais em Colniza (MT) e um dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em Minas. Outros três integrantes do MST foram baleados em Capitão Enéas, no norte de Minas.

 

Em março, um líder do MST, Waldomiro Costa Pereira, foi morto a tiros em um hospital no Pará, onde estava internado após ter sido baleado.

 

Leia aqui nota da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) sobre o ataque.



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