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Mundo: É grave a situação da liberdade de imprensa em 72 países
27 de Abril de 2017

Relatório dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) sobre a Liberdade de Imprensa 2017 indica uma ameaça sem precedentes à liberdade de imprensa no mundo: situação é difícil ou muito grave em 72 países dos 180 analisados.

 

Uma situação que acontece não apenas nas ditaduras, mas também as democracias – como nos Estados Unidos. Segundo a ONG, a chegada ao poder de Donald Trump despoletou um discurso anti-media altamente tóxico e uma era da desinformação e das notícias falsas.

 

Para o RSF, a edição 2017 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa está marcada pela banalização dos ataques contra as medias e o triunfo de políticos autoritários que fazem com que o mundo caia na era da pós-verdade, da propaganda política e da repressão, sobretudo nas democracias.

 

"O abalo das democracias causa insegurança em todos que pensam que sem uma liberdade de imprensa sólida, as outras liberdades não poderão ser garantidas”, declarou Christophe Deloire, secretário geral da Repórteres sem Fronteiras, que faz ainda a seguinte pergunta: “Para onde nos levará esse ciclo vicioso?"

 

Nesse mundo novo que se desenha e no qual prevalece o nivelamento por baixo, até mesmo os habituais bons alunos nórdicos apresentam falhas: a Finlândia (3a, -2) que ocupava o topo do Ranking a seis anos, cedeu seu lugar por causa de pressões políticas e conflitos de interesse, beneficiando a Noruega (1a, +2), que não faz parte da União Europeia. Um golpe duro para o modelo europeu. Em segundo lugar, a Suécia ganha seis pontos. Vários autores de ameaças contra jornalistas foram condenados este ano. Entretanto, muitos jornalistas continuam a se sentir sob pressão.

 

Na outra ponta do Ranking, a Eritreia (179a), que autorizou o acesso ao país a equipes de medias estrangeiras fortemente vigiadas, pela primeira vez desde 2007 saiu do último lugar, deixando-o para a Coreia do Norte. O regime norte-coreano continua a manter a população na ignorância e no terror. O simples facto de ouvir uma rádio sediada no exterior pode levar a uma estadia em um campo de concentração. No final da fila, também estão o Turcomenistão (178a), uma das ditaduras mais fechadas do mundo na qual a repressão contra jornalistas não para de se intensificar, e a Síria (177a), mergulhada em uma guerra sem fim, o país mais mortífero para os jornalistas, pegos no fogo cruzado entre um ditador sanguinário e grupos jihadistas.

 

O Brasil amarga a 103ª posição no ranking, enquanto Portugal subiu 5 lugares passando para a 18ª, a integrar o Top 20 países com maior liberdade de imprensa.

 

Para o Repórteres Sem Fronteiras, a liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada. Na verdade, o índice global do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela RSF nunca esteve tão elevado (3872). Em cinco anos, o índice de referência usado pela RSF sofreu 14% de degradação. Este ano, cerca de dois terços (62,2%) dos países listados registraram um agravamento de sua situação, enquanto o número de países onde a situação para as medias é considerada "boa" ou "quase boa" diminuiu em 2,3%.

 

O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa celebra-se a 3 de maio e tem como objetivo:

- promover os princípios fundamentais da liberdade de imprensa;

- combater os ataques feitos aos media e impedir as violações à liberdade de imprensa;

- lembrar os jornalistas que são vítimas de ataques, capturados, torturados ou a quem são impostas limitações no exercer da sua profissão;

- prestar homenagem a todos os profissionais que faleceram vítimas de ataques terroristas ou que foram assassinados por organizações terroristas.

 

A associação Repórteres Sem Fronteiras desenvolve esforços para proteger os profissionais de comunicação social em todo o mundo e alertar para os perigos a que estão sujeitos no desempenho do seu trabalho.



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