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Europa: Discurso do Papa aos chefes de estado e de governo da UE
27 de Março de 2017

O Papa Francisco recebeu na tarde desta sexta-feira, 24 de março, no Vaticano, os Chefes de Estado e de Governo da União Europeia por ocasião do 60° aniversário dos Tratados da Comunidade Económica Europeia e da Comunidade Europeia da Energia Atómica.

 

“O regresso a Roma sessenta anos depois não se pode limitar a uma viagem de recordações, mas deve ser motivado sobretudo pelo desejo de redescobrir a memória viva daquele evento para compreender o seu alcance na hora presente. É preciso compenetrar-se dos desafios de então, para se enfrentar os de hoje e de amanhã. A Bíblia, com as suas narrações repletas de evocações, oferece-nos um método pedagógico fundamental: não se pode compreender o tempo que vivemos sem o passado, entendido não como um conjunto de acontecimentos distantes, mas como a seiva vital que rega o presente. Sem esta consciência, a realidade perde a sua unidade, a história o seu fio lógico, e a humanidade o sentido das suas ações e a direção do seu porvir”, disse o Santo Padre.

 

“Se estava claro, desde o princípio, que o coração pulsante do projeto político europeu só podia ser o homem, evidente era igualmente o risco de que os Tratados permanecessem letra morta. Estes deviam ser preenchidos de espírito vital. E o primeiro elemento da vitalidade europeia é a solidariedade. «A Comunidade Económica Europeia – afirmava Bech, Primeiro-Ministro luxemburguês – só viverá e terá sucesso se, durante a sua existência, permanecer fiel ao espírito de solidariedade europeia que a criou, e se a vontade comum da Europa em gestação for mais forte do que as vontades nacionais».[6] Este espírito é ainda mais necessário hoje, face aos ímpetos centrífugos, bem como à tentação de reduzir os ideais fundantes da União às necessidades produtivas, económicas e financeiras”, destacou o Papa.

 

“Da solidariedade nasce a capacidade de se abrir aos outros. «Os nossos planos não são de natureza egoísta»,[7] disse o Chanceler alemão Adenauer. «Sem dúvida, os países que estão para se unir (...) não pretendem isolar-se do resto do mundo nem erigir à sua volta barreiras intransponíveis»,[8] rebateu Pineau, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês. Num mundo que conhecia bem o drama de muros e divisões, sentia-se claramente a importância de trabalhar por uma Europa unida e aberta e a vontade comum de se esforçar por remover aquela barreira antinatural que dividia o continente do Mar Báltico ao Adriático. Quanta fadiga para fazer cair aquele muro! E todavia hoje perdeu-se a memória daquela fadiga. Perdeu-se também a consciência do drama de famílias separadas, da pobreza e da miséria que aquela divisão provocou. Lá onde gerações anelavam por ver cair os sinais duma inimizade forçada, agora discute-se como deixar fora os «perigos» do nosso tempo, a começar pela longa fila de mulheres, homens e crianças, em fuga de guerra e pobreza, que pedem apenas a possibilidade dum futuro para si e para os seus entes queridos.

 

No vazio de memória que carateriza os nossos dias, esquece-se muitas vezes também outra grande conquista, fruto da solidariedade sancionada em 25 de março de 1957: o período mais longo de paz dos últimos séculos. «Povos que muitas vezes, no decurso dos tempos, se encontraram em campos opostos, combatendo uns contra os outros, (...) agora, ao contrário, estão unidos através da riqueza das suas peculiaridades nacionais».[9] A paz edifica-se sempre com a contribuição livre e consciente de cada um. Todavia, «para muitos, [ela] aparece hoje de certo modo como um bem indiscutido»[10] e, por isso, é fácil acabar por a considerar supérflua. Ao contrário, a paz é um bem precioso e essencial, pois sem ela não se é capaz de construir um futuro para ninguém e acaba-se por «viver dia após dia»”, recordou Francisco.

 

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