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Europa: Bispos pedem mão pesada contra indústria que financia «a violação dos direitos humanos»
15 de Outubro de 2014

70 bispos de todo o mundo assinaram uma declaração onde exortam a União Europeia a controlar, de forma mais efetiva, a ação das empresas ligadas à indústria extratora presentes em zonas de conflito e nos países subdesenvolvidos.

 

No texto, os responsáveis católicos denunciam a promiscuidade existente entre quem “controla, extrai, processa e comercializa os recursos” naturais e os “grupos armados” ou “forças militares” que detêm o poder através da violência e do terror.

 

Em vários países, sobretudo “naqueles ricos em minerais, madeira, gás, petróleo e outro tipo de produtos”, parte dos dividendos das grandes companhias acaba por “financiar a violação dos direitos humanos”, em vez de “contribuir para o desenvolvimento humano”, acusam os prelados.

 

O Comité Internacional do Comércio, ligado ao Parlamento Europeu, vai brevemente debater nova legislação para o setor dos recursos naturais.

 

A proposta, saída da Comissão Europeia, pretende responsabilizar mais as multinacionais ligadas a esta área e pôr fim à atual cadeia de ligação com os conflitos armados.

 

Os bispos europeus realçam que a União Europeia está diante de “uma oportunidade única” para mudar esta realidade, que só “nos últimos 60 anos” teve influência direta em cerca de “40 por cento de todos os conflitos globais”.

 

Mostram-se ainda convictos de que “esta nova regulamentação europeia pode trazer mudanças significativas para todas as comunidades que hoje estão em sofrimento”, um pouco por todo o mundo.

 

A declaração conta com o apoio da CIDSE - Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e Solidariedade – rede que reúne 17 organizações não-governamentais europeias e norte-americanas, incluindo a Fundação Fé e Cooperação, ligada à Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Segundo o presidente da CIDSE, a iniciativa os bispos é essencial pois “as empresas, a par dos políticos, têm a mesma responsabilidade de acabar com o financiamento da violência e dos atentados aos direitos humanos”.

 

“Esta declaração é uma mensagem clara para os responsáveis da União Europeia, de que só uma legislação mais alargada e vinculativa poderá contribuir para mudar o comportamento das companhias e ajudar as pessoas e comunidades mais atingidas pelos conflitos”, conclui.

 

Texto e informações da «Agência Ecclesia».



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