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África: Atraso de vida
2 de Dezembro de 2014

A África continua na cauda do desenvolvimento humano apesar de ter uma das economias mais activas e crescentes do globo.

 

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicou, em Julho, o Relatório do Desenvolvimento Humano 2014. O documento, cujos dados se reportam a Novembro de 2013, inclui o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que classifica 187 países tendo em conta a longevidade, educação e rendimento nacional bruto por pessoa em quatro categorias: muito elevado (49), elevado (53), médio (42) e baixo (43).

 

Noruega, Austrália, Suíça, Holanda e Estados Unidos estão no topo do índice do IDH e o Níger, a República Democrática do Congo (ex-Zaire), República Centro-Africana, Chade e Serra Leoa são os mais atrasados. Portugal partilha a posição 41 com o Chile.

 

Os 52 países africanos – com excepção do Sudão do Sul e a Somália, excluídos por falta de dados – ficaram entre os países de desenvolvimento humano baixo (35), médio (12) e elevado (5). Cabo Verde (123) e São Tomé e Príncipe (142) estão no escalão médio e Angola (149) (na foto), Guiné-Bissau (177) e Moçambique (178) no escalão baixo.

 

O índice deixa alguns indicadores de esperança. Comparando os dados de 2010 com os de 2013 dos países subsarianos, a esperança de vida à nascença passou de 55,2 para 56,8 anos, os anos de escolaridade esperados de 9,4 para 9,7 e o rendimento nacional bruto por cabeça de 2.935 para 3.152 dólares.

 

O documento também põe a nu uma grande assimetria no desenvolvimento global: um bebé ao nascer na Serra Leoa tem uma esperança de vida de 45,6 anos e no Japão 83,6; uma criança ao matricular-se na Eritreia espera poder passar 4,1 anos na escola e na Austrália 19,9; o rendimento nacional bruto por pessoa na República Democrática do Congo é de 444 dólares e no Qatar de 119.029. O índice de mortalidade materna na África anda pelas 474 mortes por 100 mil nascimentos e 11 por cento das adolescentes entre os 15 e os 19 anos são mães.

 

O relatório indica que a África precisa de mais emprego e protecção social para consolidar os ganhos do seu desenvolvimento humano e combater a pobreza. Setenta e sete por cento dos assalariados têm emprego vulnerável e 40,1 por cento dos trabalhadores por conta de outrem ganham menos de um euro por dia. Para aumentar os postos de trabalho, é necessário passar de uma economia agrícola para a indústria e reforçar o sector de serviços por meio de uma política de escolarização que prepare a mão-de-obra necessária. A África do Sul, ao introduzir o abono de família, reduziu a pobreza infantil de 43 para 34 por cento.

 

As catástrofes naturais ou geradas por conflitos também são um travão ao desenvolvimento da África. A título de exemplo, os confrontos recentes no Sudão do Sul deslocaram mais de 1,8 milhões de pessoas, pararam a agricultura nas zonas de conflito e baixaram substancialmente a produção de petróleo. Em 2010, a floricultura do Quénia perdeu mais de 1,3 milhões de dólares por dia e cerca de 5.000 postos de trabalho em consequência da erupção de um vulcão islandês que lançou o caos no tráfico aéreo e parou o escoamento de flores para os mercados internacionais.

 

O Relatório do Desenvolvimento Humano 2014 também revela uma realidade preocupante: apesar de a economia africana registar um grande crescimento, 72 por cento da população subsariana vive em situação de pobreza e arredada da participação política e assim impedida de contribuir para uma melhor distribuição da riqueza nacional. O desenvolvimento económico está a acentuar as disparidades sociais e do novo-riquismo esbanjador. A África precisa urgentemente de uma política de protecção social que inclua apoio à primeira infância através da saúde e educação, emprego aos jovens, subsídios aos desempregados e assistência de saúde e pensões aos idosos para melhorar o seu desenvolvimento humano.



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