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Vaticano: Inovação Pastoral
8 de Outubro de 2014

253 pessoas, incluindo cardeais, bispos, religiosos, peritos, casais e representantes de outras igrejas, estão a participar no Sínodo extraordinário sobre «os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização.» A assembleia começou a 5 de Outubro e vai até 19.

 

O instrumento de trabalho para a assembleia explica que o sínodo vai tratar de três âmbitos: o evangelho da família a ser proposto nas circunstâncias actuais; a pastoral familiar a ser aprofundada face aos novos desafios; a relação generativa e educativa dos pais em relação aos filhos (nº 158).

 

Há muitas expectativas para o sínodo já que a situação dos divorciados, recasados e juntos coloca desafios pastorais a que a Igreja tem sentido alguma dificuldade em responder.

 

Há um ponto assente: Jesus era contra o divórcio. A evidência bíblica é conclusiva: «Não separe o homem aquilo que Deus uniu» (Marcos 10:9).

 

No tempo de Jesus, o judaísmo permitia o divórcio: «Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher» (Marcos 10:4), disseram os fariseus a Jesus depois de lhe perguntarem se era permitido a um homem repudiar a sua mulher. No entender de Jesus, a dispensa de Moisés estava relacionada com a dureza de coração dos crentes (Marcos 10: 5).

 

Mateus, no capítulo 19 do seu evangelho, relata o mesmo episódio, mas ajunta um detalhe: «Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério» (Mateus 19:9). O texto recorda o princípio de que Jesus era contra o divórcio excepto no caso de «porneia» traduzido aqui por união ilegal, mas que também pode ser imoralidade sexual, fornicação, prostituição.

 

Paulo, diz à comunidade de Corinto que se uma pessoa foi baptizada e o cônjuge não, podem continuar casados excepto se a parte não crente decidir deixar o matrimónio para preservar a paz (1 Coríntios 7, 12-17). Paulo junta contudo que este é o seu pensar, não o de Jesus. Nos versículos 10 e 11 tinha escrito: «Aos que já estão casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido; se, porém, está separada, não se case de novo, ou, então, reconcilie-se com o marido; e o marido não repudie a sua mulher.»

 

Na Primeira Carta a Timóteo, Paulo diz que os candidatos a «episkopon» (bispo) têm que ser maridos de uma só mulher (1 Timóteo 3:2) Para os diáconos essa exigência não é mencionada (1 Timóteo 3:8). Na Carta a Tito, Paulo recorda que os candidatos a «presbyterous» (padre) devem ser também maridos de uma só mulher (Tito 1: 6). Estas exigências dão a entender que na comunidade cristã havia homens polígamos.

 

Estes três textos exemplificam como as primeiras comunidades cristãs se mantiveram fiéis ao ensinamento do Senhor que proibia o divórcio e encontraram respostas pastorais inovadoras para as situações concretas que viviam.

 

Jesus, em Mateus 13:52, conclui o discurso das parábolas do reino com este dito: «todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.»

 

Dom Manuel Clemente disse que o sínodo não vai promulgar o «divórcio católico.» Nem pode! Espera-se é que os participantes na assembleia sinodal digam «coisas novas» para responder aos novos desafios que a família cristã vive hoje e não se limitem a repetir «coisas velhas».

(José Vieira – Missionário Comboniano)



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