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Sudão do Sul: Piora a crise humanitária
12 de Setembro de 2014

O Padre Raimundo Rocha envia notícias diretamente de Juba, capital do Sudão do Sul. De acordo com o texto publicado na no site da comunidade brasileira, a crise humanitária está pior, mesmo com a melhora na situação da segurança.

 

“A crise política que gerou uma guerra civil no final de 2013 continua. No entanto, após assinatura do acordo de paz e cessar-fogo em Janeiro de 2014, os combates diminuíram, a situação da segurança melhorou, mas a crise humanitário piorou”.

 

A missão Comboniana de Leer, destruída e saqueada e de onde o missionário teve que fugir em meados de Janeiro de 2014, está a ser reerguida por um padre e um irmão. O padre Raimundo deve visitar esta missão no final de Setembro para rever o povo de Leer e entregar as responsabilidades da paróquia para um novo pároco.

 

“Leer está sobre controlo dos rebeldes e é a cidade do líder do movimento de oposição, Riek Machar. A situação lá é relativamente calma. Estão, porém, a realizar muitos recrutamentos forçados. Isso não é bom sinal. Significa que estão se preparando para possíveis confrontos. A boa notícia é que o povo conseguiu colher um pouco das suas roças e com as ajudas que chegam a situação da fome está amenizada, pelo menos na cidade”, informa.

 

“Em outras paróquias da Diocese de Malakal, é possível realizar visitas periódicas nas cidades e bases da ONU onde são celebradas missas com o povo sob proteção das forças de paz da ONU”, afirma Raimundo Rocha.

 

Os Missionários Combonianos, com as ajudas que receberam, se juntaram a outras congregações e organizações internacionais para enfrentar a crise humanitária. Comida, remédios, lonas para abrigos, roupas e itens de higiene são distribuídos. Já as negociações políticas entre governo e oposição (rebeldes) para resolver a crise sob mediação de lideranças regionais, tem produzido poucos resultados.

 

Enquanto isso centenas de milhares de pessoas sofrem nos campos de deslocados da ONU sem poder voltar às suas casas, à escola e ao trabalho. Centenas de milhares já se refugiaram nos países vizinhos.

 

Com as chuvas, a crise humanitária se agrava cada vez mais. Um outro aspecto negativo é que tem havido muita censura por parte do governo. Jornalistas tem sido presos, rádios e jornais fechados. A crise se prolonga e com ela o sofrimento de milhares de pessoas.

 

A Igreja continua sua missão de promotora da paz e reconciliação. A maioria das pessoas acreditam que a Igreja pode contribuir bastante para a resolução dos conflitos e restauração da paz. No entanto, sabe-se que a paz é fruto da justiça. Enquanto houver ambição por poder, injustiça e exclusão não haverá paz.



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