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Burkina Faso: Exército assume o poder
31 de Outubro de 2014

O exército do Burkina Faso decidiu, ao início da noite de quinta-feira, 30 de Outubro, dissolver o parlamento e o governo do país, depois de um dia de violentos protestos que eclodiram na capital Ouagadougou. Os manifestantes protestavam contra o facto de Blaise Compaoré, presidente do Burkina Faso, ter tentado prolongar o seu mandato através de um projeto-lei. Entretanto, já depois do anúncio do estado-maior das forças armadas, Compaoré afirmou que não se demitia para já e anulou o projeto-lei.

 

“Com vista ao restabelecimento do diálogo, decidi retirar o projeto-lei contestado e proceder à sua anulação”, afirmou Compaoré numa declaração feita ao país através da televisão, na qual também levantou o estado de emergência que havia decretado ao fim da tarde. Mas o exército, na sua declaração, decretou um recolher obrigatório entre as 19h e as 6h e anunciou a criação de um governo de transição.

 

“Um órgão transitório será criado em concertação com todas as forças vivas da nação, com vista a preparar as condições para regressar à ordem constitucional normal daqui a 12 meses, no máximo”, afirmou o general Honoré Traoré, chefe do estado-maior das forças armadas do Burkina Faso.

 

No discurso televisivo, Compaoré confirmou a dissolução do governo e mostrou-se disponível para um “período de transição”. “Continuo disponível para ter convosco um diálogo para um período de transição, no fim do qual transmitirei o poder ao presidente democraticamente eleito”, disse.

 

Mais de mais de 30 pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas com a onda de distúrbios que começou diante da Assembleia Nacional. Compaoré está há 27 anos no poder e deveria deixar a Presidência no próximo ano.



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