Página Inicial







Família: comunidade comunicadora
15 de Maio de 2015

É preciso «aprender de novo a narrar». Se o fizermos, estamos a ser críticos, objectivos e capazes de estabelecer diálogos.

 

Para o Dia Mundial das Comunicações Sociais (17 de Maio), o Papa Francisco, dentro do espírito sinodal, elegeu a Família como lugar privilegiado e, podemos dizer mesmo, profético de comunicação.

 

O Papa invoca desde logo a «comunicação primeira» – a comunicação uterina com a mãe. Diz o papa: «O ventre que nos abriga é a primeira escola de comunicação, feita de escuta e de contacto corporal…»

 

Comunicação que biblicamente está potenciada na visita de Nossa Senhora a Santa Isabel (Lc 1, 39-56): «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.» A qual mostra bem que, além das palavras saídas da boca, há uma linguagem que emerge do corpo todo. Ainda sabemos muito pouco desta vida intra-uterina, embora a ciência cada vez mais nos mostre a plenitude da vida que naqueles nove meses todos vivemos. Por vezes, por razões ideológicas, nega-se esta vida, sendo essa uma atitude de cegueira e de «não comunicação». Contudo, o papa atribui à vida intra-uterina e à relação que se estabelece entre mãe e filho uma plenitude e grandeza que é comovente.

 

Mas, chegado ao mundo, temos um novo “ventre” – a Família. As palavras, que em si mesmo são convenções, são-nos dadas pela nossa família. E aí damos e recebemos comunicação. Aí, construímos proximidade com quem não escolhemos, mas que nos é naturalmente tão próximo. É na comunicação que cimentamos o Amor. E como «Deus é Amor» (como diz São João), encontramos Deus.

 

É também na família que experimentamos a necessidade de vencer as diferenças, as adversidades próprias de pessoas que pecam e têm limites. E fazemos a experiência do perdão. O qual é também uma forma de comunicar. Diz o papa: «Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade.»

 

A experiência da paz e o seu valor faz-se pela primeira vez em família. A paz constrói-se nas circunstâncias concretas da realidade, por isso precisa da comunicação que vai além da palavra. Exige-se a entrega e a recepção – talvez a maior forma de comunicação. Que é experimentada de forma muito concreta na relação entre marido e mulher ou na relação entre pais e filhos. Por fim, o papa põe o dedo na ferida do «consumo» de informação em que somos «encharcados» (especialmente os jovens) por todo o tipo de informação e por isso tornamo-nos amorfos e sem espírito crítico. Mas há soluções – o papa aponta uma – é preciso «aprender de novo a narrar». Se o fizermos, estamos a ser críticos, objectivos e capazes de estabelecer diálogos. Parece-nos mesmo um desafio: pedir aos nossos filhos, aos nossos amigos e a nós mesmos que narremos notícias, factos, experiências, pensamentos. Terminamos com as palavras de esperança do papa: «… trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro». 

 

ISILDA PEGADO - Presidente da Federação Portuguesa pela Vida (Revista Além-Mar, Maio de 2015)



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados