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Burundi: Oposição decide boicotar eleições
26 de Junho de 2015

A oposição burundesa decidiu boicotar todas as eleições previstas para a próxima semana no país, considerando que as condições não estão reunidas para a sua realização.

 

"Toda a oposição decidiu por unanimidade boicotar as eleições que foram preparadas pela CENI (Comissão Eleitoral) e que começam com as comunais e as legislativas marcadas para segunda-feira," disse Charles Nditije.

 

Uma carta, assinada por todos os representantes da oposição política foi entregue quinta-feira à CENI.

 

Na carta, os membros da oposição denunciaram o calendário fixado unilateralmente pela CENI, apesar das recomendações da comunidade internacional que preconizam para que possa ser elaborado por consenso com todas as partes.

 

Eles recusam-se a participar nas eleições até que as condições sejam reunidas para as mesmas eleições serem pacíficas, transparentes e inclusivas.

 

A oposição aponta como condições prévias para a realização de eleições, o desarmamento da milícia Imbonerakure (Liga da Juventude do partido no poder), a segurança do processo eleitoral e os líderes políticos e sociais, a reabertura dos media independentes, o regresso dos refugiados e dos líderes políticos e o regresso a uma vida social normal.

 

Nditije também destacou o problema da legitimidade da CENI, da qual vários membros fugiram para o exílio e composta actualmente por seguidores do Presidente Pierre Nkurunziza.

 

Ele também contestou a manutenção da candidatura do chefe de Estado para a presidência a 15 de Julho, causa que está no centro da crise actual.

 

O Burundi é abalado por uma grave crise política desde o anúncio no final de Abril deste ano, da candidatura de Pierre Nkurunziza para um terceiro mandato.

 

Os seus opositores considerarem a candidatura inconstitucional e contrária ao Acordo de Arusha, que abriu o caminho para o fim da longa guerra civil no Burundi (1993-2006).

 

As violências que acompanham a contestação popular causaram pelo menos 70 mortos, de acordo com uma ONG de direitos humanos do Burundi.

 

 Em consequência disso, mais de 100 mil burundeses fugiram para os países vizinhos, nomeadamente, o Rwanda, República Democrática do Congo e a Tanzânia.           

 

Diante dessa crise, o governo burundês já adiou por duas vezes as eleições legislativas e municipais e uma vez a eleição presidencial.

 

A oposição já tinha boicotado as eleições em 2010, e a comunidade internacional teme a um retorno à violência em larga escala no país, por isso, continua a exigir tempo adicional.



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