Página Inicial







África: G3 portuguesas matam no Sudão do Sul
27 de Maio de 2015

Armas ligeiras de origem portuguesa estão a alimentar a guerra civil do Sudão do Sul que está a destruir a nação mais jovem do mundo há 18 meses.

 

Small Arms Survey encontrou metralhadoras ligeiras de fabrico português entre o armamento apreendido pela Missão das Nações Unidas para o Sudão do Sul (UNMISS) em Malakal e Nasir.

 

O organismo publicou um relatório a 22 de Maio intitulado «Weapons destroyed by UNMISS in Malakal, Upper Nile, December 2014» (Armamento destruídos pela UNMISS em Malakal, Nilo Superior, Dezembro 2014).

 

As forças da UNMISS desarmaram civis que procuraram refúgio em campos de proteção nas cidades de Bentiu, Pariang, Malakal, Nasir, Wau e Bor.

 

O relatório identifica G3 fabricadas na antiga fábrica de Braço de Prata entre 134 armas destruídas em Malakal.

 

O batalhão indiano a servir na força da ONU em Malakal destruiu as armas a 12 de Dezembro.

 

O relatório indica que a maioria das armas eram metralhadoras ligeiras do tipo AK 47 com origem na antiga União Soviética, Bulgária, Polónia e China.

 

As metralhadoras G3 apreendidas em Malakal foram fabricadas em Portugal e Irão.

 

Uma das G3 na imagem tinha a referência G3FMP0250, indicando ter origem na Fábrica Militar Portuguesa (FMP) de Braço de Prata.

 

Também havia armamento alemão (pistolas e metralhadoras) entre o armamento destruído.

 

A guerra civil voltou ao Sudão do Sul a 15 de Dezembro de 2013 quando soldados de origem dinca e nuer da guarda presidencial se envolveram em combates em Juba.

 

Nos últimos 18 meses mais de um milhão e meio de pessoas, incluindo 802 mil crianças, foram deslocadas pelos combates nos estados de Jonglei, Upper Nile e Unity. Outros 500 mil procuraram refúgio nos países vizinhos.

 

Não há números para as vítimas do conflito político e étnico, mas as estimativas apontam para mais de 50 mil mortos.

 

A Missão Press, Associação da Imprensa Missionária, denunciou em 2002 que Portugal era uma placa giratória no tráfico de armas ligeiras para a África.

 

A iniciativa das revistas missionárias recolheu mais de 95 mil assinaturas a pedir que Assembleia da República legislasse sobre a matéria.

 

Small Arms Survey é uma organização não-governamental suíça que se dedica à investigação do uso de armas ligeiras.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados