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Sudão do Sul: Missionário descreve situação complicada no país
26 de Maio de 2015

O padre Raimundo Rocha, missionário comboniano em Juba, no Sudão do Sul, enviou informações sobre a situação do povo e dos missionários que sofrem com a guerra neste país africano.

 

Primeiramente o padre Raimundo agradece “a todas as pessoas que se fazem solidárias com os milhares de irmãos e irmãs que sofrem com a guerra no Sudão do Sul, sobretudo com suas orações”.

 

“Leer foi mais uma vez atacada, e saqueou-se o que por lá havia restado das últimas incursões. O mesmo aconteceu com a missão (igreja e residência dos missionários). Na verdade não havia por lá muitas coisas desde os primeiros saques em janeiro e fevereiro de 2014. No dia 9 de maio, três missionários combonianos e uma irmã comboniana foram evacuados da missão de Leer. No dia 17 de Maio as forças do governo chegaram a Leer. A população, porém, já havia se refugiado nos povoados e outros lugares mais distantes”, refere a mensagem escrita pelo missionário.

 

“Hoje, Leer é uma cidade fantasma. De acordo com a ONU e Cruz Vermelha cerca de 100 mil pessoas estão refugiadas em lugares inóspitos e em condições bastante precárias. Em breve faltará alimentos e remédios. Vivi essa situação com meus colegas missionários e com o povo de Leer por 18 dias no ano passado e sei o quanto é difícil estar refugiado no mato com medo de ataques, com pouca comida e sem água potável”, explica Raimundo Rocha.

 

“Não se sabe ao certo quantas pessoas foram mortas nos últimos 16 meses de conflitos. Acredita-se que sejam mais de 30 mil mortos. Tanto o governo (exército) quanto a oposição (rebeldes) são responsáveis e ambos continuamente violam o acordo de cessar-fogo assinado em maio de 2014”.                                            

 

“Quanto aos missionários, informo-lhes que estão bem os dois que estão em Ayod (Mokok) e os dois que estão em Old Fangak, apesar das dificuldades. Há uma missionária comboniana entre os deslocados de guerra em Malakal. Está segura na base da ONU. Há também um padre diocesano em Bentiu (base da ONU) e outro em Bor. Os demais missionários, religiosas e padres da diocese de Malakal tiveram que ser evacuados”, escreve.

 

“Quanto a nós, que estamos em Juba, podemos dizer que estamos bem. Estamos fora da zona dos conflitos. Porém a crise financeira que afeta esse país em guerra civil fez com que faltasse combustível e aumentasse o preço de tudo. O povo aqui sofre com a enorme carestia e insegurança. Ninguém diz que é proibido protestar, mas se alguém grita contra essa situação pode ser reprimido. Continuamos, no entanto, tentando ser sinal de vida e esperança para esse povo sofrido. Continuamos, ao mesmo tempo, pedindo ao Deus da vida que nos conceda o dom da paz e reconciliação e que haja justiça e unidade para os povos do Sudão do Sul. Por favor, continuem rezando por nós e conosco”, concluí.

 

Pe. Raimundo Rocha

Missionário Comboniano em Juba – Sudão do Sul

Fonte: Missionários Combonianos no Brasil



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