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Moçambique: Um teste para escapar ao destino de Angola
18 de Junho de 2015

Moçambique é um país que vai servir de teste à tese da "maldição dos recursos", podendo acabar como Angola, onde apenas uma pequena elite beneficia da riqueza natural, ou conseguir distribuir a riqueza, melhorando a vida da população.

 

"Moçambique, tal como o Uganda, Quénia, e Tanzânia, é uma espécie de teste, para saber se conseguem ou não fugir do destino de Angola, onde uma pequena elite concentra a maior parte da riqueza proveniente dos recursos naturais", diz, em entrevista à Lusa em Londres, o autor do livro "A Pilhagem de África".

 

Tom Burgis, ao longo das 341 páginas do livro, passa em revista as principais ligações entre os dirigentes de vários países africanos para abordar o tema da "maldição dos recursos", uma tese que diz que os países são amaldiçoados por terem muitos recursos naturais, dado que estes são apropriados por uma pequena parte dos dirigentes, e não chegam a beneficiar a maioria da população.

 

A Pilhagem de África (2015) - Sinopse

África é o continente mais pobre do mundo — e também o mais rico. Embora concentre apenas 2 por cento do PIB mundial, alberga 15 por cento das reservas de petróleo, 40 por cento do ouro e 80 por cento da platina. No seu subsolo jaz um terço das reservas minerais do planeta. Mas o que poderia constituir a salvação do continente é, pelo contrário, uma maldição. Os recursos naturais africanos têm sido alvo de uma pilhagem sistemática. A contrapartida do petróleo e dos diamantes é a corrupção, a violência e desigualdades sociais gritantes. Mas os beneficiários deste saque, assim como as suas vítimas, têm nome. O crescimento acelerado de África é induzido pela voracidade de recursos naturais por parte de economias emergentes como a chinesa, e alimentado por uma rede sombria de comerciantes, banqueiros e investidores dispostos a subornar as elites políticas locais.

 

Em "A Pilhagem de África", Tom Burgis, premiado jornalista do Financial Times, conduz o leitor numa viagem emocionante e frequentemente chocante aos bastidores de uma nova forma de colonialismo. Ao longo de seis anos, o autor abraçou uma missão através da qual se propôs denunciar a corrupção e dar voz aos milhões de cidadãos africanos que sofrem na pele esta maldição. Aliando um trabalho aprofundado de investigação a uma narrativa plena de ação, o livro traz uma nova luz sobre os meandros de uma economia globalizada e a forma como a exploração das matérias-primas africanas concentra a riqueza e o poder nas mãos de poucos.



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