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Equador: Papa denuncia faltas da humanidade contra a «mãe terra»
8 de Julho de 2015

O Papa renovou ontem, 7 de julho, em Quito os seus apelos em favor da defesa do ambiente, denunciando o “mal” provocado à “mãe terra”, na sequência dos alertas deixados na sua encíclica ‘Laudato si’.

 

“Uma coisa é certa: não podemos continuar a virar costas à nossa realidade, aos nossos irmãos, à nossa mãe terra. Não nos é lícito ignorar o que está a acontecer à nossa volta, como se determinadas situações não existissem ou não tivessem nada a ver com a nossa realidade”, declarou, durante um encontro que decorreu na Universidade Católica Equatoriana.

 

“Não nos é lícito, mais ainda, não é humano entrar no jogo da cultura do descartável”, acrescentou.

 

A primeira viagem após a publicação da ‘Laudato si’ sublinhou a necessidade de contrariar o “uso irresponsável e o abuso dos bens” que Deus colocou na terra.

 

“Não cessa de ecoar, com força, esta pergunta de Deus a Caim: «Onde está o teu irmão?» Eu interrogo-me se a nossa resposta continuará a ser: «Sou, porventura, guarda do meu irmão?»”, assinalou Francisco.

 

O Papa voltou a lamentar que não sejam notícia as mortes de pobres, por causa da “fome e do frio”, em contraponto ao “escândalo mundial” que se gera perante perdas nas bolsas das principais capitais.

 

“Eu pergunto-me: onde está o teu irmão? Peço-vos que façais outra vez essa pergunta, cada um, e que a façais à universidade, à Universidade Católica”, referiu, de improviso.

 

“Tudo está relacionado entre si, não há direito à exclusão”, disse depois.

 

A intervenção partiu dos relatos do livro bíblico do Génesis sobre a criação do universo, sublinhando a “missão” que Deus confia ao ser humano.

 

“Cultiva! Dou-te as sementes, a terra, a água, o sol; dou-te as tuas mãos e as dos teus irmãos. Aqui o tens; também é teu. É um presente, um dom, uma oferta. Não é algo de adquirido, comprado; mas antecede-nos e ficará depois de nós”, explicou o Papa.

 

O primeiro pontífice da América Latina na história da Igreja Católica recordou que na narração do Génesis, ao lado da palavra “cultivar”, aparece “imediatamente outra, cuidar”.

 

“Uma explica-se a partir da outra. Andam de mãos dadas. Não cultiva quem não cuida, e não cuida quem não cultiva”, precisou.

 

Segundo Francisco, este convite a cuidar, proteger e guardar a natureza “impõe-se forçosamente”.

 

“Existe uma relação entre a nossa vida e a da nossa mãe terra; entre a nossa existência e o dom que Deus nos deu”, observou.

 

Fonte: Agência Ecclesia

 

Papa chega esta quarta-feira à Bolívia

Francisco chega esta quarta-feira, 8 de julho, à Bolívia, que aguarda há 27 anos a visita de um Papa.

 

A cerimônia de boas-vindas será realizada à tarde, no aeroporto internacional de El Alto. Em La Paz, Francisco realizará a visita de cortesia ao Presidente Evo Morales e, na Catedral, encontrará as autoridades civis. À noite, o Papa deixará a capital em direção a Santa Cruz de la Sierra, o centro econômico boliviano.



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