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Honduras: Morte de ativista provoca onda de indignação
9 de Março de 2016

A morte da ativista hondurenha, Berta Cáceres, tem provocado indignação internacional. A ambientalista foi assassinada a tiros, por dois homens armados que entraram na sua casa, durante a madrugada da última quinta-feira, 3 de março, na cidade de Esperanza, oeste de Honduras. “Ela era uma mulher comprometida na luta pela defesa do meio ambiente e dos territórios dos povos indígenas, bem como com a luta comum”, disse o padre jesuíta Ismael Moreno, diretor da Rádio Progresso e do centro jesuíta Team for Reflection, Research and Communication.

 

As ações de Cáceres enfureciam as elites em Honduras, um dos países mais pobres do hemisfério e com um dos mais altos índices de homicídio no mundo. O padre jesuíta conta que ela protestava contra as concessões dadas a empresas mineradoras estrangeiras e que era, talvez, a crítica mais conhecida de um conceito chamado “cidades-modelo”, que cria regiões dentro de Honduras que possuem leis e instituições diferentes do resto do país, num esforço para atrair investimentos internacionais.

 

Cáceres também protestava contra projetos mineradores e hidrelétricos, os quais eram planeados por empresas estrangeiras. Segundo alguns apoiadores, ela lidava com ameaças de latifundiários e autoridades.

 

A polícia inicialmente atribuiu a morte de Cáceres a uma tentativa de roubo, informando depois que foi morta com quatro tiros. “Uma mensagem forte e perigosa foi enviada hoje”, disse Mike Allison, especialista em política centro-americana e professor da Universidade de Scranton, instituição jesuíta na Pensilvânia. “É escandaloso que, após vários anos de investigação internacional e, por vezes, condenação, pessoas sem escrúpulos estejam a mandar matar”, comentou ele.

 

Em declaração conjunta, a Rede Eclesial Panamazónica (REPAM) e o Movimento Católico Mundial pelo Clima, MCMC, condenaram a morte de Cáceres e pediram justiça “a esse ato infeliz e doloroso” que roubou do mundo uma “brava mulher, mãe, esposa, ativista e defensora dos direitos humanos”.

 

O presidente do país, Juan Orlando Hernandez, condenou o assassinato e prometeu uma investigação completa.

 

Cáceres fundou o Conselho dos Povos Indígenas de Honduras (COPINH), em 1993, e foi vencedora do Prêmio Ambiental Goldman 2015 – considerado o Prêmio Nobel para ações ecológicas. Em 2014, ela participou do Encontro Mundial de Movimentos Populares no Vaticano.

 

Em nota, o COPINH pede uma investigação independente para esclarecer quem são os verdadeiros responsáveis intelectuais e materiais do assassinato político de Berta Cáceres: “Exigimos que o Estado hondurenho firme um convênio com a Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) para que enviem especialistas independentes para conduzir uma investigação imparcial, transparente e limpa”.



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