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Turquia: Governo prende signatários de carta a favor da paz
15 de Janeiro de 2016

A polícia turca anunciou a detenção nesta sexta-feira, 15 de janeiro, de 12 académicos que assinaram uma carta para pedir o fim das polémicas operações do exército contra a rebelião curda, que provocou a ira do presidente conservador-islâmico Recep Tayyip Erdogan.

 

Os professores universitários foram detidos durante a madrugada em suas residências como parte de uma investigação por "propaganda terrorista" e "insulto às instituições e à República Turca", anunciou a agência de notícias pró-governo Anatolia.

 

Quase 1.200 pessoas assinaram na segunda-feira, dia 11, uma "iniciativa universitária pela paz", para pedir o fim da intervenção das forças de segurança turcas contra os rebeldes curdos partidários do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

 

No texto que tem como título "Não seremos parte deste crime", os signatários denunciam que o governo executa um massacre deliberado e planificado que viola as leis turcas e os tratados internacionais.

 

Ontem, em Ancara, Erdogan disse em num discurso que "esta horda de universitários colocou-se claramente no campo da organização terrorista [numa referência ao PKK] e cuspiu o seu ódio sobre o povo turco".

 

"Estes supostos intelectuais (...) são indivíduos sombrios que não têm qualquer respeito pela sua pátria", insistiu o homem forte da Turquia, que os acusou de "traição".

 

Depois de dois anos de cessar-fogo, os combates entre as forças de segurança turcas e o PKK foram retomados no ano passado, o que acabou com as negociações de paz iniciadas em 2012 para tentar acabar com um conflito que deixou mais de 40.000 mortos desde 1984.



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