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Sudão do Sul: Missionária diz que Malakal não abrirá Porta Santa
15 de Dezembro de 2015

Em entrevista a Rádio Vaticano, a missionária comboniana Irmã Elena Balatti revela que “Porta Santa” não será aberta na diocese de Malakal.

“Por causa da guerra, existem zonas nas quais não é possível que estas importantes cerimônias se realizem oficialmente. A Diocese de Malakal, cujo território foi totalmente envolvido na guerra civil, não tem a possibilidade de abrir uma Porta Santa porque a sede da Diocese na cidade, que é capital de Upper Nile, ainda não foi reaberta”, declarou a missionária.

 

O Sudão do Sul, o mais jovem país africano, é sacudido desde dezembro de 2013 por um sangrento conflito civil, com contínuos combates entre as tropas governamentais e rebeldes da oposição.

 

De acordo com a irmã Balatti, “a Paróquia da Catedral foi aberta e fechada diversas vezes durante a guerra civil e atualmente está ainda fechada pela falta de estabilidade no território. Na última semana, houve um combate entre as forças rebeldes e as forças governamentais a 20 km de Malakal. E tudo isto acontece não obstante o tratado de paz assinado em agosto passado entre a oposição armada de Riek Machar e o governo do Presidente Salva Kiir. Mas combates esporádicos continuam e não permitem que fieis, que mesmo tendo o desejo, iniciem pacificamente o Ano Santo”.

 

Após 20 anos em Malakal, a missionária comboniana foi obrigada a abandonar a região devido às violências e transferir-se para Renk, no norte do país.

 

Elena Balatti conta como estão a viver o Jubileu da Misericórdia em um território ainda sacudido pelas violências: “Desde quando foi anunciado o Jubileu, a pregação, a catequese, os retiros espirituais, as iniciativas pastorais são direcionadas muito para o tema da reconciliação. O conceito fundamental que é sublinhando é o quanto a guerra é fruto da violência, o quanto, portanto, existe a necessidade do perdão de Deus, da misericórdia por parte de Deus. E ao mesmo tempo, para que esta situação seja mudada, existe a necessidade de misericórdia do homem para o homem, do irmão pelo irmão, da irmã pela irmã. Existe a necessidade de entrar nesta ótica de sincera busca da reconciliação, o que é muito difícil em um contexto de guerra”.

 

“Esta é a linha pastoral da Igreja em todo o Sudão do Sul. Os jovens, por exemplo, na Paróquia de Cristo Rei em Renk, onde me encontro, escolheram como lema para o Ano da Misericórdia: “Tenham misericórdia, assim como vos é usada a misericórdia”. Escolheram este lema para sublinhar quer a intervenção divina misericordiosa, quer a necessidade de se fazer esforços: ninguém pode resolver o problema da guerra no Sudão do Sul senão os sul sudaneses. A oração que todos fazemos é que volte a existir uma relativa estabilidade e que todos possamos aproximarmo-nos da misericórdia divina pacificamente. Porque nas áreas onde a tensão permanece alta não é ainda possível que existam encontros, como preveem as cerimônias litúrgicas; não é possível realizar reuniões de fieis pois é muito perigoso”, afirma a missionária.

 

Para a Irmã Elena Balatti “em uma população atormentada pela violência de todos os tipos e por tantos anos de guerra, a chegada da paz seria, sem dúvida, interpretada como um sinal da misericórdia que Deus tem pelo seu povo. A prioridade é o diálogo entre as tribos do Sudão do Sul, que tem pertenças religiosas diferentes, de diferentes denominações cristãs, de religiões africanas tradicionais, e também muçulmanas. Porém, o que divide os sudaneses do sul nesta guerra não é a religião, mas as diferenças culturais e sobretudo as ambições de poder de alguns políticos que exploram as diferenças étnicas. Neste contexto de conflito, a mensagem da misericórdia permanece central: conseguir ver o outro como um outro ser humano a quem deve ser usada de misericórdia e, ao mesmo tempo, cada um deve conseguir enxergar a si mesmo como pessoa necessitada de misericórdia e de perdão, quer por parte de Deus como por parte dos outros”.



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