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Rep. Centro-Africana: Bispos pedem promoção da paz
16 de Dezembro de 2015

“Colocai a vossa espada na bainha e ide às urnas”: assim escrevem os bispos da República Centro-Africana num longo documento publicado em vista das eleições legislativas e presidenciais, programadas para o próximo dia 27 de dezembro.

 

Há cerca de três anos a nação é devastada por um pesado conflito entre os rebeldes da coalizão “Seleka” e as milícias de autodefesa “Anti-Balaka”.

 

Evidenciando a situação de precariedade e insegurança em que se encontra o país africano, as “graves violações dos direitos humanos” que são perpetradas e a “desconsideração da autoridade estatal”, os prelados exortam os fiéis a “passar da espada às urnas, das violências às eleições pacíficas”.

 

Os bispos recordam que o voto não é somente “um direito cívico, mas também um dever moral e uma responsabilidade” e se dirigem, em seguida, a todas as partes em causa a fim de que as próximas consultas eleitorais possam “restabelecer o quadro jurídico necessário para o relançamento do país”.

 

Em particular, os prelados pedem ao governo que “assegure a transparência das eleições, criando boas condições para a participação dos cidadãos ao voto”, numa “dinâmica de mudança democrática por uma nação reconciliada e próspera”.

 

A Igreja do país africano recentemente visitado pelo Papa Francisco espera dos candidatos qualidades como “integridade, honestidade e verdade”, mas também “responsabilidade, sabedoria e sensibilidade às necessidades legítimas de todos os cidadãos para assegurar a paz”.

 

“Unidade, dignidade e trabalho” são, em particular, os três objetivos que os candidatos devem propor alcançar – lê-se ainda na nota – levando sempre em consideração o interesse de toda a nação, mantendo-se distantes da “corrupção, absolutismo e intolerância”.

 

Em seguida, os bispos dirigem-se aos cidadãos cristãos ressaltando a responsabilidade deles no atuar “como artífices da paz e servidores dos indefesos em favor da erradicação das injustiças”.

 

“O cristão não é indiferente ao mundo, mas participa da realização da vontade de Deus para a sociedade humana”, explicam os prelados centro-africanos.

 

Daí, a exortação a não vender o próprio voto e a escolher os candidatos segundo “seus méritos e integridade moral”. Daí, também, o apelo a fim de que os cidadãos sejam bem informados sobre os programas eleitorais, colaborem a fim de que o pleito eleitoral se realize de modo pacífico, no respeito pelas escolhas de cada eleitor.

 

Os bispos lançam um ulterior apelo às várias confissões religiosas a fim de que “cada uma, segundo a própria vocação, promova a justiça fundada no respeito por toda pessoa”. Exortadas a “encorajar a liberdade política e a formar a consciência dos cidadãos através da promoção do bem comum e da cultura do direito”, as confissões religiosas devem também “vigilar a fim de que as eleições sejam livres, justas e transparentes, denunciando os eventuais abusos”, ressaltam eles.

 

Os bispos dirigem-se também aos grupos armados: “Exortamos-vos a depor as armas e a renunciar a toda e qualquer forma de violência, porque a solução para o conflito no país não se encontra na guerra”, é o veemente apelo episcopal.

 

É tempo, então, “de refletir sobre o impacto que a escolha beligerante tem na sociedade e sobre o desenvolvimento nacional”, parando de derramar o sangue dos nossos irmãos e irmãs” para “seguir, todos juntos, o caminho da legalidade e da cidadania responsável a serviço da nação”.

 

Também a comunidade internacional é chamada em causa, a fim de que “garanta a segurança e a logística das eleições” e “acompanhe os novos eleitos no exercício de suas funções, mas no respeito pelos acordos internacionais, evitando assim interferir negativamente na gestão política” nacional. Os bispos fazem um apelo também aos meios de comunicação, que são exortados a “assegurar a equidade na cobertura informativa das eleições”.

 

Por fim, no âmbito do Jubileu extraordinário da Misericórdia, os prelados recordam a Porta Santa aberta pelo Papa na Catedral de Bangui – capital do país –, em 29 de novembro passado, e exortam os fiéis a “empreender o caminho da reconciliação para reconhecer e promover a dignidade de todos e de cada um, em unidade e responsabilidade”.

 

“A esperança de uma República Centro-Africana estável, equânime, justa e soberana continua a nosso alcance. Mobilizemo-nos pela nossa segurança, pela educação das nossas crianças e a retomada socioeconômica do país, a fim de que seja unido, democrático e próspero” – concluem os bispos.



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