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Roma: Um mundo sem pena de morte
23 de Fevereiro de 2016

Termina nesta terça-feira, 23 de fevereiro, um encontro de dois dias a abolição da pena de morte, organizado pela Comunidade de Santo Egídio, em Roma. No domingo, o Papa Francisco recordou tal evento no final do Angelus na Praça de São Pedro e apelou para que nenhuma condenação à morte seja executada durante o Ano da Misericórdia.

 

O evento reúne cerca de 30 ministros e representantes de países africanos, asiáticos, latino-americanos e europeus. Alguns deles (El Salvador, Ruanda, Timor Leste, Togo) já aboliram a pena de morte por algum tempo; outros (República Centro-Africano, Mali, Serra Leoa, Sri Lanka) suspenderam as execuções, e juntaram-se à Assembleia Geral das Nações Unidas em favor da moratória; outros ainda, como o Vietname e a Somália, mantêm a pena de morte.

 

Em particular, o congresso de Roma é uma ocasião importante para oferecer apoio e instrumentos judiciais aos estados que estão a embarcar num percurso a caminho da abolição ou da suspensão da pena de morte. Reafirmar o valor sagrado da vida e difundir uma cultura de paz pode cortar terreno ao medo, que neste tempo difícil se arrisca a prevalecer nas escolhas de tantos.

 

“Num tempo de guerra difusa, como o nosso, de facto, invocar soluções simplificadas e procurar bodes expiatórios, em nome da segurança, pode parecer natural e recolhe apoiantes. O terrorismo eleva o nível de violência e leva o público a tomar partido: a favor ou contra. E contra equivale a suprimir, também fisicamente, o violento. As imagens de execuções barbaras, como nos vídeos do Daesh, difundem na sociedade uma cultura de morte. É o desafio do terrorismo global: publicitar o medo”, explica nota da Comunidade Santo Egídio.

 

“Mas a violência faz somente o jogo do medo. E a pena de morte, expressão de uma cultura violenta, não ajuda a combater o crime. A pena capital – demonstram-no tantos estudos e estatísticas – não é um dissuasor, não diminui a criminalidade, não garante maior segurança e alcança somente mais violência e mais morte. E sobretudo quando um estado mata em nome da lei, baixa o nível do seu sistema legislativo ao nível de quem mata. Por isto faz sentido renovar o empenho em defesa da vida e voltar a dar um impulso à luta pela abolição da pena de morte”, conclui a nota.



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