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Brasil: Conflitos no campo continuam a fazer muitos mortos
23 de Fevereiro de 2016

Os conflitos no campo continuam a causar muitas mortes no Brasil: “O número de assassinatos decorrentes de conflitos no campo em 2015 foi o maior dos últimos 12 anos no Brasil, com 49 mortes registradas, a maior parte na Região Norte”, refere a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

 

No dia 12 de fevereiro, numerosas famílias de agricultores de Anapu, no sul do Estado do Pará realizaram um encontro para recordar o assassinato de irmã Dorothy Stang, ocorrido 11 anos atrás. Dorothy era a voz dos pobres agricultores e defensora da floresta amazónica. A Bíblia era a sua arma de combate e nunca se intimidou perante as inúmeras ameaças de morte.

 

Tomar partido dos sem-terras foi parte do trabalho de Stang, que defendeu dois grandes “projetos de desenvolvimento sustentável” em terras governamentais que os pecuaristas ocuparam. A ideia de Stang era permitir que os sem-terras fossem assentados em troca da preservação de grande parte da floresta. Um grupo de fazendeiros comandado por Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como “Taradão”, encomendou seu assassinato para barrar a execução dos projetos. Galvão foi condenado pelo crime a 30 anos de prisão, mas continua solto após apresentar recurso e aguarda o resultado”.

 

A repercussão nacional e internacional desse assassinato deu a impressão, como já ocorrera com o massacre de Eldorado do Carajás (19 sem-terras assassinados), sintomaticamente acontecido no mesmo Estado do Pará, que a violência de crimes praticados por motivos idênticos ao que matou Dorothy, se não fosse eliminada, pelo menos diminuiria.

 

Mas não foi o que aconteceu e sobram relatos de impunidades: Dados da CPT mostram que de 1.115 casos de homicídio decorrentes de conflitos no campo registrados entre 1985 e 2014, apenas 12 foram julgados.



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