Página Inicial







Moçambique: Fuga em massa após alegados abusos do exército
26 de Fevereiro de 2016

O governo de Moçambique deve investigar com urgência as alegações de execuções sumárias, abusos sexuais e maus-tratos por parte das suas forças armadas na província de Tete, anunciou a Human Rights Watch.

 

Desde outubro de 2015, pouco depois de começarem as operações do exército para desarmar milícias ligadas ao principal partido da oposição de Moçambique, Resistência Nacional Moçambicana ou Renamo, pelo menos 6000 pessoas fugiram para o Malawi.

 

Em meados de fevereiro de 2016, várias dezenas de requerentes de asilo no campo improvisado de Kapise, no Malawi, relataram à Human Rights Watch ter fugido dos abusos do exército e que por isso, têm medo de voltar para casa. Mulheres descreveram como os seus maridos foram sumariamente executados, ou amarrados e levados para paradeiro desconhecido por soldados de uniforme, alguns deles transportados por veículos do exército. Em vários casos, os soldados incendiaram casas, celeiros e campos de cultivo, acusando os residentes locais de alimentar e apoiar as milícias.

 

As tensões entre o partido do governo, Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e o partido da oposição, Renamo, têm vindo a aumentar desde que a Frelimo ganhou as eleições em outubro de 2014. Antes disso, duas décadas após a guerra civil que devastou o país, a Renamo iniciara uma insurgência de baixo nível. Em 2014, houve um novo acordo de paz, mas a Renamo afirma que o governo não foi capaz de integrar os soldados rebeldes no exército e na polícia, nos termos do acordo. O governo diz que a Renamo se recusou a entregar uma lista das milícias a integrar no exército nacional. A província de Tete é um reduto da Renamo rico em carvão na fronteira com o Malawi.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados