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Europa: Os muros anti-imigrantes
9 de Setembro de 2016

A história dos muros não conhece a palavra fim. A história não ensina. O tempo passa, mas as razões pelas quais se erguem os muros, de Berlim a Calais, não mudam, continuam sempre as mesmas: proibir a livre circulação de pessoas. O executivo da UE diz que cabe aos Estados-Membros decidir como gerir as suas fronteiras, desde que as medidas tomadas não prejudiquem os direitos humanos dos imigrantes, o direito de asilo e o princípio da não repulsão. No mundo, os muros para combater a imigração são quarenta e seis.

 

Primeiro Berlim, depois Hungria, Macedónia, Ceuta e Melilla, Bulgária e Turquia. Agora, a Grã-Bretanha e a França. Dois países símbolo de um sonho europeu que se desfaz. Quatro metros de altura por dois quilómetros de comprimento e com uma única finalidade: blindar a “selva”. Este o nome escolhido para o mega acampamento surgido em Calais (no norte da França), evacuado em parte, em Março passado, e que agora aumentou, quase a redobrar o número de então.

 

Fala-se de cerca de dez mil pessoas acampadas, a maioria provenientes da África e do Médio Oriente, rodeadas por uma vedação de rede (como animais). A parte que se vê ao longo da auto-estrada será substituída por um muro de betão armado. Mais de dois milhões de Euros (prevê-se 2,7 milhões) para repelir, cifra incluída em um pacote de medidas mais amplo, o equivalente a 20,2 milhões, disponibilizados por Londres para reforçar as estruturas anti-imigrantes. Londres, e o seu Brexit, está decidida a defender-se sozinha na recusa dos migrantes e a não querer ouvir falar sobre quotas de acolhimento.

 

Continuam as políticas cegas que revelam, mais uma vez, a fragilidade da Europa (a França, recorde-se bem, é país fundador), a incapacidade de dar vida a uma política única, a miopia dos que esperam antes de mais defender-se a si próprios, sem darem-se conta que ninguém se salva sozinho, e que a conta da falta de acolhimento será ainda maior, amanhã. Um amanhã que não está muito longe.

 

Fonte: Comboni.org e Revista Limes



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