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Sudão do Sul: Situação mantém-se instável e insegura
12 de Setembro de 2016

O P. Raimundo Rocha dos Santos, comboniano, descreve a situação do Sudão do Sul, dois meses depois de ter rebentado a guerra civil em Juba.

 

No dia 8 de setembro, diz o missionário que trabalha naquele país, “fez dois meses que os conflitos – de uma guerra civil, que já dura há dois anos e oito meses – reiniciaram e duraram quatro dias, em Juba. Desde o dia 11 de julho, data do cessar-fogo, a situação melhorou consideravelmente em Juba, pelo menos em termos de segurança. A vida na capital voltou a uma situação de quase normalidade. Não houve mais combates. Porém, as mais de 30 mil pessoas que vivem nos campos de protecção de civis não se sentem seguras para sair, vivem como presos, sobretudo os homens”.

 

O clima tenso já não existe mais em Juba, mas a população no geral vive preocupada e com medo das incertezas e instabilidade e possível volta dos conflitos, além do custo de vida que ficou muito alto.

 

A fome é uma realidade. Sair de casa à noite não é muito seguro e continuam os assaltos a residências e a veículos nas estradas, quase sempre com latrocínios.

 

Enquanto Juba goza de relativa paz, tem havido combates entre rebeldes e exército em áreas a 120 quilómetros de distância da capital. Não há grandes riscos de chegarem até Juba. Isso tem feito com que o número de refugiados aumente nessas localidades. Todos os dias chegam, somente à Uganda, mais de mil pessoas refugiadas.

 

Em julho e agosto, o líder da oposição armada caminhou por 40 dias de Juba até o Congo, país vizinho, para escapar dos ataques do exército. Hoje ele se encontra em recuperação em Cartum, Sudão. Ele exige uma terceira força neutra (nem exército, nem rebeldes) que ofereça protecção a ele e aos civis. Nesses dias uma delegação de 15 pessoas do Conselho de Segurança da ONU esteve em visita a Juba e Wau. Visitaram os milhares de civis que estão sobre protecção da ONU em campos de desabrigados pelos conflitos, e se reuniram com o governo, que finalmente aceitou a proposta da ONU de enviar mais 4.000 soldados para proteger os civis. Esse acordo foi aceito com algumas condições impostas pelo governo. Se houver de facto o envio dessas forças de paz, é provável que o líder da oposição retorne a Juba para exigir de volta sua posição de Primeiro Vice Presidente e continuar a implementação do acordo de paz. Portanto, há expectativas de que a paz, mesmo relativa, retorne a todas as regiões do país, e há também temores de que os conflitos sejam reiniciados e aumentem. 

 

Enquanto isso o povo continua a sofrer. Sofre com a insegurança, com as doenças, desabrigo, a carestia e a fome. Ajudas humanitárias têm amenizado a situação de muita gente, mas os problemas continuam. Percebe-se em muita gente certo desânimo e pessimismo. Já outras pessoas cultivam alguma esperança. São poucas, porém, que confiam nas lideranças políticas do país.

 

Quanto a nós missionários e outros agentes de pastoral da igreja local, estamos bem, graças a Deus. Resolvemos permanecer com o povo das nossas missões e comunidades. A nossa presença no meio do povo nesses momentos críticos aumenta a confiança e esperança do povo, que geralmente busca nas igrejas ajuda e protecção. É verdade que alguns missionários em áreas de conflitos foram obrigados a fugir com o povo devido aos conflitos armados, mas nada de mais sério lhes ocorreu. Alguns agentes de pastoral já sofreram ameaças e até agressões físicas, mas nos encorajamos uns aos outros e continuamos nossa missão com prudência e determinação. Eu e meus companheiros missionários Combonianos de Juba estamos bem. A situação do Sudão do Sul, no geral, não é das melhores. É bastante desafiadora e continua ocupando pouco ou nenhum espaço nos média do mundo inteiro. Há, porém, muitos sinais de vida, solidariedade e esperança. Enquanto nos alegramos com as muitas bênçãos de Deus e a solidariedade de gente do mundo inteiro, insistimos em pedir para continuar rezando pela justiça, paz e reconciliação no Sudão do Sul. São Daniel Comboni e Santa Josefina Bakhita, intercedei por nós.

P. Raimundo Rocha dos Santos

 

ORAÇÃO PELA PAZ NO SUDÃO DO SUL

Deus de amor e misericórdia,

Vós criastes pessoas de cada clã,

tribo e nacionalidade.

É vossa vontade que todos os povos possam

viver em paz, harmonia e unidade.

Somos todos irmãs e irmãos.

Pedimos-vos perdão pelas vezes

que não vivemos em paz.

Curai as nossas feridas e ajudai-nos

a reconciliar-nos uns com os outros.

Nós também rezamos pelos nossos líderes.

Concedei-lhes a sabedoria divina

e ajudai-os a promover o respeito,

a paz, o amor, a unidade, a justiça

e a verdadeira reconciliação

para que cada clã e tribo no Sudão do Sul

possa viver em paz e harmonia.

Nós vos pedimos por Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Amém.



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