Página Inicial







Azerbaijão: "Somos chamados a construir juntos um futuro de paz"
3 de Outubro de 2016

A breve visita do Papa Francisco ao Azerbaijão teve um forte caráter inter-religioso. O ponto alto foi o Encontro Inter-religioso na Mesquita H. Aliyev, de Baku, reunindo o líder dos muçulmanos do Cáucaso, Allahshukur Pashazadeh, e representantes das outras comunidades do país.

 

O presente encontro - recordou o Papa -  está em continuidade aos numerosos encontros que se realizam em Baku “para promover o diálogo e a multiculturalidade”:

“A fraternidade e a partilha que desejamos incrementar não serão apreciadas por aqueles que querem salientar divisões, reacender tensões e enriquecer à custa de conflitos e contrastes; mas são imploradas e esperadas por quem deseja o bem comum, e sobretudo são agradáveis a Deus, Compassivo e Misericordioso, que quer os filhos e filhas da única família humana unidos e sempre em diálogo entre si”.

 

“Abrir-se aos outros – diz Francisco -  não empobrece, mas enriquece, porque nos ajuda a ser mais humanos: A reconhecer-se parte ativa dum todo maior e a interpretar a vida como um dom para os outros; a ter como alvo não os próprios interesses, mas o bem da humanidade; a agir sem idealismos nem intervencionismos, sem realizar interferências prejudiciais nem ações forçadas, mas sempre no respeito das dinâmicas históricas, das culturas e das tradições religiosas”.

 

Para o Papa, as próprias religiões “têm a grande tarefa de acompanhar os homens em busca do sentido da vida, ajudando-os a compreender que as limitadas capacidades do ser humano e os bens deste mundo nunca se devem tornar absolutos: As religiões são chamadas a fazer-nos compreender que o centro do homem está fora dele, que tendemos para o Outro infinito e para o outro que está próximo de nós. Aí o homem é chamado a encaminhar a vida rumo ao amor mais sublime e, simultaneamente, mais concreto: este não pode deixar de estar no cume de toda a aspiração autenticamente religiosa”.

 

As religiões, neste sentido, têm também “uma tarefa educativa: ajudar a tirar fora do homem o seu melhor. E nós, como guias, temos uma grande responsabilidade que é dar respostas autênticas à busca do homem, hoje frequentemente perdido nos paradoxos vertiginosos do nosso tempo”.

 

O Papa afirmou ainda que “somos desafiados a dar uma resposta, sem mais adiamentos, para construir um futuro de paz: Não é tempo de soluções violentas e bruscas, mas o momento urgente de empreender processos pacientes de reconciliação. A verdadeira questão do nosso tempo não é como promover os nossos interesses, mas que perspetiva de vida oferecer às gerações futuras, como deixar um mundo melhor do que aquele que recebemos”.

 

“Deus – disse o Papa - e a própria história, interrogar-nos-ão se hoje nos gastamos pela paz; já no-lo perguntam instantemente as gerações jovens, que sonham com um futuro diferente”.

 

Que “as riquezas inestimáveis destes países – concluiu o Papa - sejam conhecidas e valorizadas: os tesouros antigos e sempre novos de sabedoria, cultura e religiosidade dos povos do Cáucaso são um grande recurso para o futuro da região e, em particular, para a cultura europeia, bens preciosos a que não podemos renunciar”.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados