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Mundo: Acabar com a violência e discriminação contra albinos
31 de Outubro de 2016

A especialista em direitos humanos Ikponwosa Ero fez um pedido a representantes de governos reunidos na Assembleia Geral das Nações Unidas: que tomem medidas rápidas para acabar com o crescente problema da violência e grave discriminação contra pessoas com albinismo.

 

Ero é a primeira especialista independente nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para monitorar, relatar e aconselhar sobre a situação das pessoas com albinismo em todo o mundo.

 

Seu último relatório foi apresentado na quinta-feira, 27 de outubro. O documento identifica causas de ataques e discriminação a pessoas com albinismo e indica passos legais concretos para melhorar a situação.

 

A relatora encoraja, por exemplo, a criação de campanhas de conscientização contínuas e de longo prazo que apoiem mães de crianças com albinismo. Segundo ela, é preciso regular práticas de feitiçaria, tidas como uma das causas da violência a albinos.

 

Outras causas são percepções errôneas sobre a condição, enraizadas na cultura. Entre estas, o mito de que pessoas com albinismo "são fantasmas, que não morrem, mas desaparecem".

 

Segundo Ikponwosa Ero, isto contribui para minimizar o impacto social dos ataques e justificar supostos desaparecimentos.

 

Um dos impactos mais preocupantes de tais crenças é que comunidades, famílias e, às vezes, até as mães abandonam crianças com albinismo.

 

A relatora citou ainda que acredita-se, por exemplo, que "beber o sangue de pessoas com albinismo traz poderes mágicos ou pode ser usado para aumentar vitalidade ou capacidade intelectual; que os ossos de pessoas com albinismo podem ajudar a descobrir ouro em minas; que suas mãos queimadas até virarem cinzas e misturadas em uma pasta podem curar derrames".

 

A pobreza também pode incentivar ataques a pessoas com albinismo. Práticas como as mencionadas pela especialista em direitos humanos causaram o aumento de um mercado negro que valoriza membros dos corpos dessas pessoas; assim, o potencial de ganhar dinheiro teria se tornado um grande incentivo para ataques.

 

Para Ero, além de "mitos, prática de feitiçaria e pobreza, há ainda fatores agravantes, incluindo a visibilidade de pessoas com albinismo, especialmente em regiões onde elas se destacam devido à sua pigmentação" e a caracterização dessas pessoas em filmes e livros que "perpetua equívocos".

 

Ela ressaltou ainda "impunidade e resposta judicial fraca aos ataques".



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