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Europa: Mais de 3.700 já morreram no Mediterrâneo em 2016
4 de Novembro de 2016

O ano de 2016 pode estabelecer um recorde de mortes no Mediterrâneo central. O balanço até agora é de 3.740 mortos. Em 2015, o total de pessoas mortas no mar Mediterrâneo foi de 3.771.

 

Organizações internacionais como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) já consideram este o ano mais letal.

 

“Este é o pior cenário que já vimos”, disse o porta-voz do ACNUR, Willian Spindler, durante coletiva de imprensa em Genebra. “No ano passado, foi registrada uma morte a cada 269 chegadas, em 2016, a probabilidade de mortes aumentou drasticamente para uma a cada 88”, completou.

 

O grande número de vidas perdidas aconteceu apesar de uma considerável queda geral no número de pessoas que procuraram atravessar o Mediterrâneo para a Europa neste ano. Em 2015, pelo menos 1.015.078 pessoas fizeram a travessia. Este ano, até agora, foram contabilizadas 327.800 pessoas.

 

“Entre a Líbia e a Itália, a probabilidade de mortes é ainda maior: uma a cada 47 chegadas”, acrescentou, referindo-se à rota do Mediterrâneo central.

 

As causas do aumento de mortes são muitas: neste ano, cerca de metade daqueles que cruzaram o Mediterrâneo embarcaram no norte da África com destino à Itália — uma das rotas mais perigosas.

 

“Traficantes também estão usando atualmente embarcações de menor qualidade” — são botes infláveis, frágeis, que geralmente não suportam toda a jornada.

 

O ACNUR afirmou que enfrentar essa situação e ao mesmo tempo garantir a efetividade dos sistemas de refúgio continuam sendo um desafio político para muitos países, mas que medidas necessárias para salvar vidas ainda são possíveis. O ACNUR encoraja que todos os países se esforcem nesse sentido.

 

O acesso e a expansão de caminhos regulares para que os refugiados alcancem segurança requerem uma atenção maior e mais urgente.

 

Tais meios incluem aprimoramentos nos processos de reassentamento e de admissões humanitárias, reunião familiar, financiamentos privados assim como vistos humanitários, estudantis e de trabalho para refugiados.

 

“Esta alta taxa de mortalidade também serve como alerta para a importância de aprimorar a capacidade de buscas e resgates – sem as quais os índices fatais serão certamente ainda maiores”, completou Spindler.



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