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Papa: Secularização, refugiados e tráfico de seres humanos
2 de Novembro de 2016

Após a viagem à Suécia que assinalou os 500 anos da Reforma de Lutero que se celebram em 2017, Francisco regressou ao Vaticano tendo vivido grandes momentos de verdadeiro sabor ecuménico no país escandinavo. Foram passos fortes e longos nestes 50 anos que se celebram de diálogo entre católicos e luteranos e que possibilitaram uma Comemoração Conjunta destes cinco séculos da Reforma.

 

No avião que trouxe o Papa Francisco de Malmö, na Suécia, até Roma, na terça-feira dia 1 de novembro o Santo Padre encontrou-se, como habitualmente, com os jornalistas que o acompanharam nesta 17ª viagem apostólica internacional.

 

Em destaque nesta conferência de imprensa assuntos tão variados como: migrações, refugiados, secularização, laicidade, ecumenismo e tráfico de seres humanos.

 

Suécia terra de acolhimento

O primeiro assunto tratado com os jornalistas foi o da imigração após uma questão colocada por jornalistas suecos. Num momento em que na Europa são colocados entraves à entrada de refugiados o Papa Francisco sublinhou que se um refugiado não for integrado pode “guetizar-se”, tendo aludido à longa tradição de acolhimento dos suecos, em particular, de tantos sul-americanos no período das ditaduras.

O Santo Padre considerou existir diferença entre ‘migrante’ e ‘refugiado’, pois o migrante tem que respeitar certas regras pois é “um direito muito regulado”, enquanto que o refugiado é alguém que foge da fome, da guerra e da angústia. E a Suécia tem tradição em acolher e integrar – disse o Papa:

“Também nisto, a Suécia sempre deu um exemplo em acolher, no fazer aprender a língua, a cultura e também integrar na cultura. Nisto da integração das culturas, não devemos assustar-nos, porque a Europa foi feita com uma contínua integração de culturas, tantas culturas, não é?”

“Creio que em teoria não se pode fechar o coração a um refugiado, mas também a prudência dos governantes: devem ser muito abertos a recebê-los, mas também calcularem como é que os podem acolher, porque a um refugiado não apenas se deve receber, mas devemos integra-lo. E se um país tem uma capacidade de vinte, digamos assim, de integração, bem faça-o até aí. Se outro país tem mais, faça mais. Mas sempre o coração aberto: não é humano fechar as portas, não é humano fechar o coração e mais à frente isto paga-se.”

 

A Igreja é uma mulher

A uma pergunta sobre a possibilidade do sacerdócio para as mulheres na Igreja Católica, Francisco respondeu que a “última palavra clara foi dada por S. João Paulo II e esta permanece”. Contudo, sublinhou que as mulheres podem “fazer tantas coisas, melhor que os homens”. E recordou que a Igreja é mulher “não existe a Igreja sem esta dimensão feminina porque ela própria é feminina” – afirmou o Papa.

 

Secularização e laicidade

Sobre a secularização, tendência que perpassa toda a Europa, Francisco declarou que não é “uma fatalidade” e “não é um problema de laicidade”, mas uma debilidade da evangelização – afirmou o Papa:

“ Não é um problema de laicidade porque é preciso uma sã laicidade, que é a autonomia das coisas, a autonomia sã das coisas, a autonomia sã das ciências, do pensamento, da política, é preciso uma sã laicidade. Uma outra coisa é o laicismo, mais ou menos como aquele que nos deixou em herança o iluminismo. Mas eu creio que estas duas coisas: um pouco a suficiência do homem criador de cultura mas que vai para além dos limites e sente-se Deus, e também uma debilidade da evangelização, torna-se tépida e os cristãos são tépidos. Aí salva-nos retomar a sã autonomia no desenvolvimento da cultura e das ciências também com a força de ser criatura, não Deus, e também retomar a força da evangelização.”

 

Iniciativas ecuménicas

A propósito das iniciativas ecuménicas com outras Igrejas, Francisco recordou duas: quando visitou uma Igreja Evangélica na cidade italiana de Caserta e quando em Turim, também em Itália, visitou uma Igreja Valdense. Referência do Santo Padre também para as iniciativas ecuménicas em Buenos Aires: encontros com fiéis evangélicos e católicos nos quais se alternavam na pregação pastores e sacerdotes católicos. Encontros que ajudaram muito o diálogo – disse.

 

Tráfico de seres humanos

Destaque ainda para as palavras do Papa acerca do tráfico de seres humanos afirmando que se comove com o facto de que “Cristo é sempre crucificado continuamente nos seus irmãos mais débeis”. O Papa recordou o empenho, neste particular, de religiosas argentinas que trabalhavam com “as mulheres da prostituição” e sublinhou que todos os anos celebrava na “Plaza de la Constituicion” uma missa com estas pessoas e com quem as ajudava.

 

Renovamento Carismático

Na conferência de imprensa no avião de regresso da Suécia destaque ainda para os 50 anos do Renovamento Carismático neste ano de 2017 e que terão em Roma no Circo Massimo na Vigília de Pentecostes um momento alto e ao qual o Santo Padre pretende ir.

 

Venezuela

Francisco falou também aos jornalistas sobre a audiência privada que concedeu ao presidente venezuelano Nicolás Maduro e reafirmou o diálogo como único caminho para resolver os conflitos. Também na Venezuela.



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