Página Inicial







Brasil: Casal de camponeses é assassinado em Rondónia
19 de Setembro de 2016

Edilene Mateus Porto e Izaque Dias Ferreira (conhecido como Paulo), foram assassinados a tiros na terça-feira, 13 de setembro, em Alto Paraíso (Rondónia). O casal se deslocava de moto para plantar capim, em um lote localizado na Área Revolucionária 10 de Maio, quando foi vítima de uma emboscada.

 

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) acusa latifundiários e diz que Paulo e Edilene vinham sendo ameaçados e já tinham sofrido um atentado.

 

“Certamente os autores de mais este crime bárbaro são os latifundiários grileiros (açambarcadores) de terras e assassinos”, afirma a LCP, “que com seus bandos de pistoleiros e policiais, têm promovido o terror em Rondônia, onde quer que os camponeses se levantem para lutar pelo sagrado direito à terra”.

 

A Liga conta que o casal era ativo no movimento. Os dois participavam de reuniões e atos em Rondónia e Brasília. “Eles fotografavam e denunciavam atos criminosos de policiais e pistoleiros, a mando de latifundiários da região”, diz a LCP. Outro líder do acampamento, Enilson Ribeiro, foi assassinado no dia 23 de janeiro, em Jaru.

 

Edilene e Paulo já vinham sendo ameaçados.  Em dezembro de 2014, ainda segundo o movimento, sofreram um atentado, ao retornarem de uma reunião no Incra de Porto Velho, “onde denunciaram crimes praticados pelos policiais militares de Buritis”.

 

Segundo o movimento, 60 famílias ocuparam em 2014 uma fazenda que teria sido açambarcada pelo latifundiário Caubi Moreira Quito. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), em relato sobre outro assassinato ocorrido na região, em 2015, a fazenda já foi desapropriada pelo Incra, mas Quito resiste à decisão.

 

A reportagem «Mortes Camufladas» apresentada pelo jornal Estadão, informa que no final de 2014, a Ouvidoria Agrária Nacional divulgou um relatório da polícia “no qual reconhecia que a segurança privada em fazendas da região de Buritis vinha se apoiando na contratação de capangas, agentes penitenciários, milícias e policiais fortemente armados”.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados