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Ásia: Visita do Papa às Filipinas
8 de Janeiro de 2015

O Papa Francisco realiza uma viagem apostólica ao Sri Lanka e às Filipinas entre os dias 12 e 19 de Janeiro.

 

Na sua viagem apostólica às Filipinas, o terceiro país que visitará na Ásia, entre 15 e 19 de Janeiro, o Papa Francisco reunir-se-á com líderes, famílias e jovens. Terá também um encontro com pobres, sobreviventes de desastres naturais e vítimas de injustiças.

 

O Papa Francisco deixou bem claro que uma das suas prioridades seria visitar a Ásia. «Devo ir à Ásia, é importante», disse o papa aos jornalistas ao concluir a sua viagem ao Brasil, em Julho de 2013. Antes de assinalar o seu segundo aniversário como Bispo de Roma, em Março de 2015, o Papa Francisco terá visitado três países asiáticos, a saber, a Coreia do Sul, o Sri Lanka e as Filipinas. É na Ásia que reside a maioria daqueles que se debatem com a pobreza, o sofrimento e o conflito. São as periferias geográficas e existenciais de que a Igreja deve aproximar-se, de acordo com Francisco. Nelas se incluem as Filipinas, o terceiro maior país católico do mundo e a nação predominantemente católica da Ásia.

 

As periferias asiáticas

Embora as Filipinas estejam lentamente a subir a escada que conduz à prosperidade económica, com perspectivas positivas a médio prazo, o fosso entre ricos e pobres é ainda grande. Um número significativo de filipinos continua a passar fome todos os dias e não pode adquirir os bens de primeira necessidade e serviços que permitem uma vida decente.

 

A insurreição continua a ser um problema importante no arquipélago. Se bem que o acordo de paz assinado no início de 2014 com o principal grupo rebelde armado muçulmano alimente a esperança de acabar com décadas de conflito e discórdia no Sul das Filipinas, está por ver quando é que as pessoas poderão remediar os estragos e trabalhar para uma paz duradoura, a auto-suficiência e o desenvolvimento. Além disso, o acordo de paz não inclui outros grupos rebeldes que continuam a lutar pela independência da ilha de Mindanau, habitada tanto por cristãos como por muçulmanos.

 

Proximidade física e espiritual

Mas a razão principal que levou o papa a visitar as Filipinas foi a vontade de estar fisicamente próximo das vítimas do tufão Haiyan (Yolanda), que devastou as ilhas Visayas, no centro do país, no dia 8 de Novembro de 2013. Pelo menos 10 milhões de pessoas foram afectadas. Pouco depois da passagem do tufão, o Santo Padre enviou mensagens de consolo e de proximidade espiritual às vítimas do Haiyan, primeiro através do Twitter e depois na sua mensagem do ângelus dominical, dois dias depois de o tufão ter feito sentir os seus efeitos: «Desejo garantir ao povo das Filipinas e aos habitantes da região atingida por um terrível tufão que estou ao seu lado.» A visita apostólica que o Santo Padre efectuará este mês às Filipinas reforçará certamente ainda mais esta proximidade espiritual que ele tem oferecido até agora ao povo filipino.

 

Um tema apropriado

«Misericórdia e Compaixão» foi o tema escolhido pela CBCP para a visita papal, em conformidade com o desafio permanente do Santo Padre de estar próximo dos que são rejeitados e negligenciados pela sociedade. Tal como sublinhou o papa na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, «a Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho» (n.º 114).

 

O cardeal Tagle recordou aos Filipinos este desafio numa conferência de imprensa dada a 14 de Novembro de 2014 para divulgar o programa da visita papal: «A visita do papa vem também chamar cada um de nós à responsabilidade pessoal e social. Enquanto discípulos de Jesus Cristo movidos pelo Espírito Santo, enfrentamos o desafio de levar amor aos negligenciados e abandonados, de ajudar a sarar as feridas infligidas às crianças, mulheres e famílias, de respeitar os vizinhos que são diferentes de nós, de formar os jovens na liberdade responsável, de valorizar a vida e a criação e de imbuir de misericórdia e compaixão a nossa cultura e a nossa sociedade. Com ele, espalhemos com alegria o Evangelho da esperança.»

 

O ponto alto da visita

No sábado de manhã, dia 17, o papa viajará para a cidade de Tacloban, situada na ilha de Leyte e que foi uma das áreas mais duramente atingidas pelo tufão Haiyan. O avião do Santo Padre aterrará no Novo Aeroporto de Tacloban, onde será celebrada uma missa ao ar livre. Antes da missa, o papa percorrerá os terrenos do aeroporto no seu papamóvel, para cumprimentar a multidão, que, numa estimativa conservadora, poderá chegar às 400 000 pessoas. O papa pediu expressamente que a missa ao ar livre fosse celebrada no aeroporto, para permitir a presença de pessoas vindas do Centro e do Sul das Filipinas.

 

Dos 100 milhões de habitantes das Filipinas, 70 milhões (70 por cento) são católicos.

(Por: JOEY VILLARAMA, Jornalista Nas Filipinas)



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