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Rep. Centro-Africana: Escolas são esperança para o futuro
29 de Dezembro de 2016

“A situação do país (República Centro-Africana) ainda é precária, especialmente em algumas cidades. Contudo na capital, pelo menos nas últimas duas semanas, não houve confrontos” escreve o Pe. Federico Trinchero.

 

Missionário carmelita descalço, trabalhando no convento de Notre Dame do Monte Carmelo, em Bangui, capital da República Centro-Africana, onde 3 mil pessoas deslocadas são acolhidas. “Não era assim nos meses mais recentes, quando a trégua miraculosamente iniciada após a visita do papa Francisco, foi seriamente ameaçada com mais mortes, demasiadas mortes, para aquilo que parecia e se pensava ser o início da paz.

 

O Pe. Federico dá o exemplo das proximidades do quilómetro cinco, em Bangui, que ainda continua a ser um enclave, de onde os muçulmanos quase não saem e onde os cristãos passam rapidamente. À volta deste enclave há um grande anel desabitado, uma espécie de terra de ninguém, onde os sinais da guerra são demasiado evidentes. Aqui, há pouco mais de 3 anos, cristãos e muçulmanos viviam em paz. Mas agora, contudo, todos se sentem estranhos entre si. Só se veem casas destruídas ou queimadas, telhados em ruínas, erva e carcaças de carros. Ficaram somente as paredes da paróquia de São Miguel.

 

Entretanto a operação Sangaris do exército francês terminou, a qual tem o mérito de ter evitado um banho de sangue, em dezembro de 2013 - a ameaça de genocídio era mais do que real - e ter levado o país a eleições quase perfeitas. De fato, ninguém contestou os resultados nem questionou a legitimidade do novo presidente. “Foi uma façanha, se tivermos em consideração a situação difícil em que o país se afundou e fazendo uma comparação com outros países africanos”, disse o Pe. Federico.

 

Agora que o comando passou para as mãos dos 12 mil soldados da ONU que, infelizmente, são frequentemente acusados de inatividade, senão cumplicidade com os rebeldes, ainda ativos no norte. Por isso, tem havido protestos exigindo a sua retirada e a formação de um autêntico exército centro-africano (praticamente inexistente durante os últimos três anos). Pessoalmente, ainda que eu não me considere competente nesta matéria, acredito que se não tivéssemos os militares da ONU, a situação teria sido ainda pior e que um exército nacional efetivo e responsável não teria sido criado em tão curto espaço de tempo - continuou o missionário.

 

Levará tempo até que a situação da África Central estabilize a longo prazo: é muito fácil começar uma guerra, mas conseguir a paz leva tempo, paciência e coragem. Para o missionário são visíveis dois importantes sinais de paz, pelo menos na cidade de Bangui: o retorno normal das aulas nas escolas e a abertura de muitos centros de construção ou reforma de prédios, estradas e pontes. Dezenas de jovens, antes desempregados, estão afortunadamente ocupados trabalhando ou estudando. As escolas e os trabalhos de construção diminuem as multidões de jovens, que antes e durante a guerra, constituíam reservas de descontentamento, onde os rebeldes facilmente recrutavam pessoal para desestabilizar o país.



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