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Brasil: Rebelião em presídios deixa 60 mortos
3 de Janeiro de 2017

A rebelões que aconteceram em presídios do Estado do Amazonas, norte do Brasil, entre os dias 1 e 2 de janeiro, causaram a morte de pelo menos 60 presos, para além da fuga de 184 detentos.

 

De acordo com o Governo do Amazonas, este é o resultado de uma guerra entre as facções Família do Norte (FDN) e Primeiro Comando da Capital (PCC) pela disputa de espaço no tráfico de entorpecentes no Estado.

 

Para o Pe. Gianfranco Graziola, Vice-Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária, esses acontecimentos também possuem relação com o fenómeno do encarceramento em massa e a comercialização do sistema carcerário brasileiro.

 

“No Brasil, temos o chamado «encarceramento em massa». É o país do mundo que mais encarcera. Hoje em dia, os dados apontam que é o terceiro país do mundo que tem mais pessoas encarceradas ou privadas de liberdade. Fenómeno que continua a crescer, contrariamente aos Estados Unidos, a China ou a Rússia, que estão num processo de desencarceramento porque não acreditam que o cárcere vai resolver problemas. E também nós da Pastoral, como entidade da Igreja, não acreditamos. O cárcere é um produtor de criminalidade, um produtor de violência, um produtor de tortura. Nós temos apresentado isto muito claramente com dados e isto tem tido repercussões, mas parece que não são suficientes para combater esta luta entre as facções, sobretudo este comércio que se tornou o sistema carcerário brasileiro”, explica o padre Gianfranco Graziola.

 

O Vice-Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária recorda que “como Igreja, como Pastoral, temos esta dimensão que não é apenas a da evangelização, no sentido de pregadores, mas é sobretudo de denúncia, de querer o desencarceramento: esta é a nossa batalha, este é o nosso lema, o nosso trabalho, através de uma agenda com dez pontos bem concretos, e que leva ao desencarceramento”.

 

“Apontamos pontos fundamentais como a questão das drogas, a questão de uma justiça que é vertical e não horizontal ou restaurativa, e com a responsabilização da própria sociedade sobre os seus problemas, e o enfrentamento dos mesmos de uma forma coletiva e democrática”, refere.



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