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Portugal: Silêncio, filme de Martin Scorsese, estreia a 19 de janeiro
16 de Janeiro de 2017

O filme «Silêncio», do realizador norte-americano Martin Scorsese, apresenta a experiência dramática da missionação no Japão do século XVII, entre o martírio e a apostasia de leigos e padres, incluindo jesuítas portugueses. A obra, com estreia marcada para 19 de janeiro, em Portugal, segue de perto o romance homónimo do católico japonês Shusaku Endo, num “thriller teológico”.

 

O filme de Martin Scorsese evoca, sobretudo, a perseguição de milhares de cristãos no território nipónico com interpretações de Liam Neeson, Adam Driver, e Andrew Garfield. O realizador centra o seu trabalho no percurso de duas personagens, identificadas como jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe – particularmente no primeiro -, que partem à procura de outro sacerdote da Companhia de Jesus, Cristóvão Ferreira (1580-1650), este uma figura histórica, que teria renunciado à fé cristã após ser torturado.

 

Segue-se um trecho do texto sobre o filme Silêncio publicado pelo Padre José Vieira (MCCJ) no blogue Jirenna:

 

O realizador norte-americano Martin Scorsese transformou Silêncio, a ficção mais aclamada do católico japonês Shusaku Endo, no «filme da sua vida».

 

Silêncio conta a odisseia física e espiritual de dois jesuítas portugueses: Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe.

 

À volta de 1640 embarcaram para o Japão para assistir os católicos barbaramente perseguidos pelo poder desde 1614, altura em que os missionários foram expulsos do país.

 

Queriam encontrar o seu mentor, o P. Cristóvão Ferreira. Relatos de comerciantes holandeses contavam que o jesuíta tinha renunciado a fé em vez de receber a coroa gloriosa do martírio.

 

Os padres Rodrigues e Garupe vão a Goa, passam por Macau e entram clandestinamente no Japão com a ajuda de um guia – Kichijiro – que faz a união entre os diversos blocos do filme.

 

Scorsese fez de Silêncio um filme tenso, intenso e extenso que prende, questiona, choca, agride, espanta durante duas horas e 41 minutos.

 

As torturas a que os cristãos foram submetidos para calcar o «fumie» – uma placa metálica de Cristo – e renegar a fé ou aceitar uma morte cruel gritam bem alto que a maldade humana tem requintes brutais infinitos.

 

A minha mente derivava, ao ver as execuções nas praias japonesas, para as costas da Líbia onde membros do Daesh executaram cristãos com a mesma crueldade.

 

Endo dizia-se um católico japonês num fato ocidental desajustado.

 

A sua produção literária é um esforço para apresentar um Cristo aceitável aos nipónicos: impotente, maternal, compassivo e companheiro dos sofredores, com um poder incrível de auto-sacrifício – como explica o P. Adelino Ascenso na sua magistral dissertação doutoral.

 

O romance, publicado em 1966, questiona o silêncio de Deus perante a tão desesperada situação dos cristãos perseguidos, os mártires do Japão.



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